
A decisão da ABBAAS de anunciar Rogério Melfi como novo diretor-executivo vai além de uma movimentação administrativa. Ela marca um reposicionamento estratégico da associação justamente quando o Banking as a Service (BaaS) entra em seu momento mais delicado: o da execução prática da regulação.
“O Banking as a Service desempenha um papel cada vez mais importante no sistema financeiro brasileiro. A regulação é positiva e traz mais clareza, mas é no dia a dia da implementação que surgem as dúvidas reais e os ajustes finos. Quero contribuir para que o ecossistema avance com segurança, transparência e capacidade de inovação responsável”, afirma Melfi.
Após um período dominado por debates conceituais, consultas públicas e definições regulatórias, 2026 se apresenta como um ano de testes reais para o setor. As regras publicadas pelo Banco Central do Brasil trouxeram maior clareza sobre papéis e responsabilidades, mas agora exigem capacidade operacional, coordenação entre agentes e interpretação consistente das normas.
Chegada do Melfi na ABBAAS
Fundada no fim de 2024, a associação consolidou em 2025 sua atuação como interlocutora técnica do ecossistema de BaaS, participando ativamente das discussões regulatórias e organizando as demandas do mercado. Com a entrada em vigor das novas regras, o desafio muda de natureza.
A fase atual envolve questões práticas como modelos contratuais, segregação de responsabilidades entre instituições financeiras e prestadores de infraestrutura, governança, gestão de riscos e compliance. Erros nessa etapa podem gerar ruídos com o regulador e comprometer a confiança no modelo de BaaS como um todo.
A chegada de Melfi indica que a ABBAAS pretende atuar menos como fórum de debate e mais como camada de coordenação operacional do setor.
Um perfil alinhado ao momento do BaaS
Com passagens por entidades e empresas ligadas à infraestrutura financeira, como a ABFintechs e a TecBan, Melfi construiu uma trajetória voltada à articulação entre mercado, tecnologia e regulação.
Esse histórico ganha relevância em um cenário em que o maior risco para o BaaS não está na inovação, mas na má execução regulatória. A nomeação sinaliza que a associação quer ajudar seus associados a atravessar a transição com mais previsibilidade, reduzindo assimetrias de informação e evitando interpretações divergentes das normas.
Entre as frentes esperadas para 2026 estão a consolidação de dúvidas práticas do mercado, a disseminação de orientações e boas práticas e a manutenção de um canal ativo de diálogo com o Banco Central.
Um sinal de maturidade do ecossistema
Mais do que uma troca de comando, o movimento reflete o amadurecimento do Banking as a Service no Brasil. O setor começa a reconhecer que escala sustentável depende menos de velocidade e mais de confiança institucional, clareza de papéis e padrões operacionais bem definidos.
“Acreditamos que 2026 será um ano desafiador e, ao mesmo tempo, repleto de oportunidades. Com regras mais claras e papéis mais definidos, o mercado tende a ganhar ainda mais robustez. O papel da ABBAAS será apoiar as empresas na adaptação, contribuir para a elevação das boas práticas e fortalecer a confiança do público e do mercado no Banking as a Service”, concluiu o executivo.
Ao anunciar Melfi em um ano-chave, a ABBAAS sinaliza que entende o peso desse momento. A aposta é que, com liderança executiva dedicada e foco na implementação, o BaaS consiga atravessar sua fase mais crítica sem travar seu crescimento e se consolidar como parte estrutural do sistema financeiro brasileiro.