Foto: Abner Garcia / Let's Money
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O ano de 2025 marcou uma inflexão no modelo de Banking as a Service no Brasil. Com nova regulação, amadurecimento do mercado e consolidação de novos formatos como Fullbanking, o BaaS deixou de ser promessa e se firmou como uma infraestrutura crítica para a economia digital. Neste especial, reunimos três entrevistas que ocorreram no Let’s Money Podcast e ajudam a entender os bastidores, as inovações e os rumos do setor.

O modelo da BMP

Suzana Alves e Felipe Avelar, da BMP, explicam por que tantas empresas que começam pedindo “um Pix” acabam se tornando operadoras financeiras completas. Para eles, o BaaS é o ponto de partida, mas o destino é o Fullbanking: um modelo em que o cliente assume toda a jornada e captura a rentabilidade via mercado de capitais.

“Não necessariamente o cliente, quando nos procura, sabe que está precisando de um Banking as a Service. Ele chega pedindo ‘um Pix’. Às vezes não é só o Pix — dá pra fazer muito mais do que isso. E eles têm entendido hoje que podem ser o banco do próprio cliente.” — Suzana Alves

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O Fullbanking da BMP se divide em três etapas: mapeamento do potencial, regularização com estrutura bancária e monetização através de securitização e produtos de crédito.

“A primeira caixinha é mapear a mina de ouro. A segunda, regularizar e bancarizar: 138 APIs, mais de 2.200 jornadas personalizadas. A terceira é levar esse cliente pra ganhar dinheiro como banqueiro.” — Felipe Avelar

O diferencial está na consultoria ativa, que ajuda o cliente a separar mercadoria de crédito, organizar esteiras, ajustar precificação e buscar funding eficiente.

“O brasileiro parcela. O grande problema do empreendedor chama-se fluxo de caixa. Se você não separa o que é produto do que é juros (tempo), perde em eficiência tributária e margem.” — Felipe Avelar

Regulação, representação e maturidade: o papel da ABBAAS

Doug Storf (Swap) e Marcelo Corrêa (Celcoin), presidente e vice da ABBAAS, contaram os bastidores da fundação da entidade e da construção da regulação que começa a moldar o futuro do setor.

“Era o momento certo. A gente precisava unir o setor, organizar a pauta e contribuir com o regulador de forma madura e transparente.” — Doug Storf

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A nova norma, que exige exclusividade por tipo de conta e traz diretrizes claras para prestadores e tomadores, foi moldada com intensa participação da associação.

“O Banco Central ouviu o setor. A norma final reflete muitos dos inputs da indústria. Isso mostra que o diálogo funciona.” — Doug Storf

Para Marcelo, o BaaS é a espinha dorsal da descentralização financeira brasileira, e a regulação traz estabilidade e confiança para a próxima fase.

“Hoje vemos marketplaces centralizando fluxos financeiros, ERPs se tornando bancos PJ. Tudo isso é BaaS. E a nova regulação chega para dar clareza aos papéis de prestador e tomador.”

“A ideia é que o usuário final saiba exatamente quem é o responsável pelo seu dinheiro. Isso eleva a confiança e traz estabilidade.” — Marcelo Corrêa

BaaS na economia real: o caso da Qonta

Milton Camargo, fundador da Qonta, compartilhou sua visão sobre o papel do BaaS na economia real: um modelo para empresas que têm distribuição, mas ainda não monetizam com serviços financeiros.

“Nós ajudamos empresas não financeiras a construírem seus próprios produtos financeiros e monetizarem seus próprios ecossistemas. Tem muito espaço na economia real para empresas que têm distribuição, mas ainda não oferecem serviços financeiros.”

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Sobre a regulação, Milton vê um divisor de águas positivo: “Vai ser pesada. E precisa ser. O setor cresceu muito rápido e precisa de regras claras. O Banco Central foi pró-inovação, mas agora o foco é segurança.”

“Vai sair do abstrato. Hoje, ninguém sabe direito o que é ou não é BaaS. Com a norma, vamos ter clareza e segurança jurídica.”

As conversas com BMP, ABBAAS e Qonta mostram que o BaaS está deixando de ser apenas infraestrutura para se tornar modelo de negócio. E a regulação de 2025 pode ser o gatilho definitivo para profissionalizar, escalar e democratizar ainda mais o acesso a serviços financeiros no Brasil. Essas e outras entrevistas você acompanha em nosso Canal no YouTube e na nossa editoria “Podcasts”.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.