O Banco Central do Brasil autorizou a entrada de um sócio relevante no Banco Master mesmo após o investidor ter tido ativos financeiros no exterior congelados por suspeita de corrupção. O caso envolve Maurício Quadrado, acionista do Master entre 2020 e 2024, e adiciona uma nova camada ao debate sobre os critérios de idoneidade e governança na supervisão bancária brasileira.
Quadrado teve contas na Suíça bloqueadas entre 2018 e 2022, após ter sido citado em delação premiada de um ex-diretor da Caixa Econômica Federal, no contexto das operações Sépsis e Cui Bono, desdobramentos da Operação Lava Jato. Apesar disso, recebeu autorização do BC para se tornar sócio do Banco Master, instituição que viria a ser liquidada extrajudicialmente em novembro de 2025, de acordo com informações do “Estadão“.
Aval do BC e critérios de idoneidade
Pela regulação brasileira, qualquer investidor com participação qualificada ou influência na gestão de uma instituição financeira precisa passar por um processo de avaliação conduzido pelo Banco Central. Esse rito inclui análise de reputação ilibada, idoneidade moral, capacidade técnica e comprovação da origem dos recursos utilizados no investimento.
A defesa de Quadrado afirma que ele desconhecia a existência de um inquérito policial em seu nome no momento da aprovação e sustenta que o bloqueio de ativos ocorreu em um truste patrimonial sem movimentação relevante. Segundo seus advogados, o inquérito foi posteriormente encerrado sem confirmação das denúncias apresentadas pelo delator.
À época da autorização, a autarquia era presidida por Roberto Campos Neto, que, segundo reportagens recentes, tinha conhecimento das fragilidades do Banco Master e teria defendido soluções de mercado antes da liquidação.







