
O Banco Central voltou a colocar luz sobre os efeitos do caso Master ao determinar que o Banco de Brasília (BRB) constitua uma provisão de R$ 2,6 bilhões em seu balanço. A exigência, revelada na sexta-feira (23) pela “Folha de S.Paulo“, não inaugura o episódio, mas marca um novo estágio regulatório no acompanhamento das perdas relacionadas à aquisição de carteiras de crédito da instituição liquidada em novembro.
A decisão do BC está ligada à compra, pelo BRB, de R$ 12,2 bilhões em carteiras do Banco Master, posteriormente identificadas como fraudulentas por não terem lastro em operações reais. Parte relevante desse valor foi compensada antes da liquidação, mas R$ 2,6 bilhões permaneceram sem cobertura, o que motivou a exigência de provisão.
Provisão do BRB e o recado do BC
A determinação foi formalizada por meio de um termo de comparecimento enviado ao BRB no início de janeiro, segundo apuração da Folha de S.Paulo. Na prática, o movimento reforça o papel do Banco Central em garantir que eventuais perdas sejam reconhecidas de forma tempestiva, mesmo após a liquidação da instituição de origem dos ativos.
Do ponto de vista regulatório, a provisão não significa intervenção ou insolvência iminente, mas funciona como um mecanismo de proteção ao sistema financeiro, ao exigir que o banco reconheça no balanço o risco residual da operação. É também um sinal de que o BC pretende acompanhar de perto os impactos contábeis e prudenciais do caso.
O episódio ganhou novo ruído nos últimos dias após o BRB enviar comunicações aos clientes reforçando sua solidez e descartando riscos de liquidez. O banco afirmou operar normalmente e destacou que dispõe de plano de recomposição de capital, caso necessário.
Impacto no BRB e próximos passos
Em nota, o BRB informou que estuda a venda de ativos recuperados do Master como forma de reforçar sua posição financeira. A instituição também negou a necessidade imediata de aporte pelo controlador, o Governo do Distrito Federal, e classificou como especulativas informações sobre valores finais antes da conclusão das apurações.
Para o mercado, o caso segue relevante não apenas pelo impacto financeiro direto, mas pelo precedente regulatório. A atuação do Banco Central indica maior rigor na avaliação de aquisições de carteiras, especialmente em operações envolvendo instituições em dificuldade, além de reforçar a importância de governança, diligência e transparência nessas transações.
Com as investigações da Polícia Federal ainda em curso e a consolidação dos números finais pendente, o episódio do Master continua produzindo efeitos, agora menos como fato novo e mais como lição estrutural para bancos, reguladores e o próprio sistema financeiro.