Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

O Banco Central afirmou que a liquidação extrajudicial do Will Bank foi uma medida inevitável após o agravamento da situação financeira da instituição, especialmente depois do descumprimento de pagamentos à Mastercard. Segundo o BC, a falha ocorreu em 19 de janeiro e levou ao bloqueio da participação da fintech no arranjo de pagamentos da bandeira, acelerando o desfecho do caso.

Em comunicado, o Banco Central do Brasil explicou que a Will Financeira vinha operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) desde novembro, quando foi decretada a liquidação do Banco Master, seu controlador. Naquele momento, o BC avaliou que havia possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento da controlada.

Essa alternativa, no entanto, não se confirmou. De acordo com o regulador, a deterioração da capacidade financeira da Will Financeira tornou inviável qualquer tentativa de continuidade. O BC cita explicitamente o comprometimento da situação econômico-financeira, a insolvência e o vínculo de controle com o Banco Master como fundamentos para a decisão.

Falta de pagamento à Mastercard foi gatilho

O ponto de inflexão, segundo o Banco Central, foi o descumprimento da grade de pagamentos com a Mastercard. A falha levou ao bloqueio da participação do Will Bank no sistema da bandeira, o que, na prática, inviabilizou a operação normal da instituição e precipitou a liquidação extrajudicial.

Até então, o RAET havia sido adotado justamente para tentar preservar a fintech enquanto se buscava uma solução de mercado. Com o não pagamento e a perda de acesso à infraestrutura de pagamentos, o cenário mudou de forma definitiva.

Impacto sistêmico limitado, diz BC

O Banco Central também buscou contextualizar o impacto do caso no sistema financeiro. Segundo o órgão, o Conglomerado Master era classificado como de pequeno porte, no segmento S3 da regulação prudencial. O grupo representava cerca de 0,57% do ativo total e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional, com o Banco Master como instituição líder.

Ainda assim, o BC reforçou que seguirá com as apurações para identificar responsabilidades. O processo pode resultar em medidas sancionadoras administrativas e no envio de informações a outras autoridades competentes, conforme previsto em lei.

A manifestação do regulador encerra uma sequência de eventos que começou com a liquidação do Banco Master, avançou para o colapso do Will Bank e agora entra na fase de responsabilização. Para o mercado, o episódio reforça o peso da infraestrutura de pagamentos e da governança financeira na sobrevivência de fintechs que operam em escala.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.