Os oito bancos centrais lusófonos oficializaram a criação da Rede BCPLP, com o Banco de Portugal na presidência inaugural. O acordo, fechado à margem das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, institucionaliza uma cooperação que já acontecia em formato não permanente.
Os oito fundadores da Rede BCPLP
| País |
Instituição |
| Angola |
Banco Nacional de Angola |
| Brasil |
Banco Central do Brasil |
| Cabo Verde |
Banco de Cabo Verde |
| Guiné-Bissau |
Banco Central dos Estados da África Ocidental (via Diretoria Nacional) |
| Moçambique |
Banco de Moçambique |
| Portugal |
Banco de Portugal (presidência inaugural) |
| São Tomé e Príncipe |
Banco Central de São Tomé e Príncipe |
| Timor-Leste |
Banco Central de Timor-Leste |
Integrantes da Rede BCPLP. Fonte: Valor Econômico
Como a Rede BCPLP vai operar
A presidência da rede é anual e rotativa: cada banco central, quando assume o comando, define a agenda de temas comuns a ser discutida pelo grupo. A primeira reunião oficial será em Luanda, em novembro deste ano. Em paralelo, serão criados grupos de trabalho para assuntos técnicos e um comitê de política econômica para “analisar e discutir temas e políticas de interesse comum às economias dos nossos países”, informou o BC brasileiro em nota.
Para o BC, o acordo torna permanente um trabalho conjunto que já vinha sendo realizado em caráter informal. “A partilha de conhecimento e a cooperação entre todos permitirá um desempenho mais efetivo das nossas missões e o alinhamento de posições elevará a relevância dos BCPLP no quadro internacional e nos diversos fóruns multilaterais”, afirmou a autoridade monetária. A criação foi decidida nos encontros à margem das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, em Washington.
A projeção internacional do BC brasileiro
A rede se soma a um ciclo de expansão externa da autoridade monetária. O modelo do Pix foi replicado em 17 países até o final do ano passado, segundo o ex-presidente Roberto Campos Neto, e quadros do próprio BC têm sido chamados para cargos em organismos multilaterais, como o ex-diretor Carlos Eduardo Brandt, hoje no FMI. O país se firmou como laboratório global de pagamentos digitais e Open Finance, duas frentes que tendem a pautar a nova rede.
O que observar
A Rede BCPLP cria um canal institucional para trocas que hoje acontecem em bilaterais esparsas. O teste é se o formato vira fórum real de decisão e alinhamento de posições em fóruns multilaterais, ou apenas uma vitrine diplomática. A agenda inaugural em Luanda dará o primeiro sinal: moeda digital de banco central, regulação de stablecoin e interoperabilidade de sistemas de pagamentos instantâneos são candidatos naturais, e a escolha do que entra na primeira pauta indica quais autoridades monetárias terão peso efetivo na rede.
Para países lusófonos menores, a lógica é atalhar curva de aprendizado em temas complexos, como supervisão de fintechs, combate a fluxos ilícitos e implantação de pagamentos instantâneos. Para as duas maiores economias do grupo, a rede pode virar canal para exportar padrões, infraestruturas e referenciais regulatórios, com ganho reputacional em organismos como FMI e Banco Mundial. Vale acompanhar, nas próximas rotações de presidência, quais temas saem da mesa técnica e chegam a comunicados oficiais.
Fontes: Valor Econômico • Lusa • Let’s Money | Modelo do Pix chegou a 17 países • Let’s Money | Do BC ao FMI, a nova missão de Brandt • Let’s Money | Pix e Open Finance transformam Brasil em laboratório global