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BC e 7 centrais lusófonos criam rede presidida por Portugal

Oito bancos centrais lusófonos oficializaram a criação da Rede BCPLP no FMI. Banco de Portugal assume a presidência inaugural e Luanda hospeda 1ª reunião.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

Os oito bancos centrais lusófonos oficializaram a criação da Rede BCPLP, com o Banco de Portugal na presidência inaugural. O acordo, fechado à margem das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, institucionaliza uma cooperação que já acontecia em formato não permanente.

Os oito fundadores da Rede BCPLP

País Instituição
Angola Banco Nacional de Angola
Brasil Banco Central do Brasil
Cabo Verde Banco de Cabo Verde
Guiné-Bissau Banco Central dos Estados da África Ocidental (via Diretoria Nacional)
Moçambique Banco de Moçambique
Portugal Banco de Portugal (presidência inaugural)
São Tomé e Príncipe Banco Central de São Tomé e Príncipe
Timor-Leste Banco Central de Timor-Leste

Integrantes da Rede BCPLP. Fonte: Valor Econômico

Como a Rede BCPLP vai operar

A presidência da rede é anual e rotativa: cada banco central, quando assume o comando, define a agenda de temas comuns a ser discutida pelo grupo. A primeira reunião oficial será em Luanda, em novembro deste ano. Em paralelo, serão criados grupos de trabalho para assuntos técnicos e um comitê de política econômica para “analisar e discutir temas e políticas de interesse comum às economias dos nossos países”, informou o BC brasileiro em nota.

Para o BC, o acordo torna permanente um trabalho conjunto que já vinha sendo realizado em caráter informal. “A partilha de conhecimento e a cooperação entre todos permitirá um desempenho mais efetivo das nossas missões e o alinhamento de posições elevará a relevância dos BCPLP no quadro internacional e nos diversos fóruns multilaterais”, afirmou a autoridade monetária. A criação foi decidida nos encontros à margem das reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, em Washington.

A projeção internacional do BC brasileiro

A rede se soma a um ciclo de expansão externa da autoridade monetária. O modelo do Pix foi replicado em 17 países até o final do ano passado, segundo o ex-presidente Roberto Campos Neto, e quadros do próprio BC têm sido chamados para cargos em organismos multilaterais, como o ex-diretor Carlos Eduardo Brandt, hoje no FMI. O país se firmou como laboratório global de pagamentos digitais e Open Finance, duas frentes que tendem a pautar a nova rede.

O que observar

A Rede BCPLP cria um canal institucional para trocas que hoje acontecem em bilaterais esparsas. O teste é se o formato vira fórum real de decisão e alinhamento de posições em fóruns multilaterais, ou apenas uma vitrine diplomática. A agenda inaugural em Luanda dará o primeiro sinal: moeda digital de banco central, regulação de stablecoin e interoperabilidade de sistemas de pagamentos instantâneos são candidatos naturais, e a escolha do que entra na primeira pauta indica quais autoridades monetárias terão peso efetivo na rede.

Para países lusófonos menores, a lógica é atalhar curva de aprendizado em temas complexos, como supervisão de fintechs, combate a fluxos ilícitos e implantação de pagamentos instantâneos. Para as duas maiores economias do grupo, a rede pode virar canal para exportar padrões, infraestruturas e referenciais regulatórios, com ganho reputacional em organismos como FMI e Banco Mundial. Vale acompanhar, nas próximas rotações de presidência, quais temas saem da mesa técnica e chegam a comunicados oficiais.

Fontes: Valor EconômicoLusaLet’s Money | Modelo do Pix chegou a 17 paísesLet’s Money | Do BC ao FMI, a nova missão de BrandtLet’s Money | Pix e Open Finance transformam Brasil em laboratório global

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