Ir para o conteúdo

Banco Centralbanco central · BC

Copom corta Selic a 14,5%, com inflação além da meta

Copom corta Selic para 14,5% por unanimidade. BC já projeta inflação 2026 em 4,6%, acima do teto da meta, com petróleo Brent a US$ 120.

por

· 3 min

Atualizado em

Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

O Copom cortou a Selic em 0,25 ponto percentual nesta quarta-feira (29), levando a taxa de 14,75% para 14,5% ao ano em decisão unânime. O corte confirma a expectativa do mercado, mas chega com o Banco Central projetando inflação de 4,6% em 2026, acima do teto da meta de 4,5%.

Selic e o cenário de pressão externa

Indicador Valor
Selic (a partir de 29/04) 14,5% a.a.
Selic anterior 14,75% a.a.
Petróleo Brent ~US$ 120/barril
Alta do Brent desde o conflito +65%
Focus: Selic fim de 2026 13,0% a.a.

Indicadores da decisão do Copom de 29 de abril de 2026. Fonte: Valor Investe

O choque no petróleo que trava o ciclo

A razão para o passo curto está fora do Brasil. A guerra entre Estados Unidos e Irã bloqueou o Estreito de Ormuz, a via que liga o Golfo Pérsico ao restante do mundo, reduzindo a oferta global de petróleo. Os preços da commodity escalaram 65% desde o início dos conflitos, levando o barril do Brent a beirar US$ 120, o maior nível em quase quatro anos. As consequências chegaram aos bolsos dos brasileiros em março, forçando o comitê a operar no passo mais curto do ciclo.

O choque já era antecipado por organismos internacionais: o FMI alertou que o conflito podia afetar preços de energia e inflação global, com riscos diretos para economias emergentes dependentes de commodities.

Mercado revê o terminal da Selic

O Boletim Focus desta semana traduz a mudança de horizonte: a previsão para a Selic no fim de 2026 subiu de 12,25% para 13% ao ano entre a reunião anterior e esta, reduzindo as apostas em novos cortes. O Banco Central, por sua vez, revisou a projeção do IPCA para 4,6% em 2026, superando o teto de 4,5% da meta, de acordo com o comunicado do Copom. O IPCA-15 de abril marcou 0,89%, elevando o acumulado em 12 meses a 4,37%.

A sessão contou com seis votantes; dois cargos de diretoria permanecem vagos. No comunicado, o Copom afirmou que “o ambiente externo permanece incerto”, citando os conflitos geopolíticos no Oriente Médio como principal vetor de risco para as condições financeiras globais. A Selic de 14,5% ao ano é o menor nível desde 8 de maio de 2025, quando a taxa estava em 14,25% ainda num ciclo de alta. O Let’s Money já havia reportado que a escalada da guerra redefinia as expectativas de juros para 2026.

O que observar

Com a inflação projetada acima do teto enquanto o ciclo de cortes avança, a variável central é o IPCA nas próximas leituras mensais. Se o choque externo persistir e as expectativas seguirem subindo, cresce a pressão para pausar o ciclo antes do previsto. A pergunta é se o BC consegue manter o viés de flexibilização sem comprometer a credibilidade frente a projeções de inflação que já extrapolam a meta.

Vale acompanhar o comportamento semanal do Focus: a revisão da Selic terminal de 12,25% para 13% em poucas semanas mostra que agentes financeiros estão reavaliando o número de cortes ainda possíveis. Fintechs de crédito e tomadores corporativos serão os primeiros a sentir se a janela de alívio fechar antes do previsto. O próximo encontro do comitê será o teste desse equilíbrio.

Fontes: Valor InvesteAgência BrasilCNN BrasilLet’s Money

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasbanco central
Ver a editoria

Mais artigos de banco central

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.