Ir para o conteúdo

RegulaçãoCrédito · Consignado

Febraban contesta TCU por suspender R$ 100 bi em consignado

Febraban, ABBC e Zetta reagem à suspensão abrupta do consignado do INSS pelo TCU, que congela R$ 9 bi/mês e afeta 17 milhões de beneficiários.

por

· 3 min

Atualizado em

Foto: Reprodução

Febraban, ABBC e Zetta publicaram nota conjunta contestando a decisão cautelar do TCU que suspendeu, em 29 de abril, todas as modalidades de crédito consignado do INSS: um mercado de R$ 100 bilhões anuais com 65,4 milhões de contratos ativos. As entidades anunciaram que buscarão junto ao tribunal a modulação dos efeitos da medida.

O consignado do INSS em números

Indicador Valor
Movimentação anual R$ 100 bilhões
Descontos mensais R$ 9 bilhões
Beneficiários com consignado 17 milhões (4 em cada 10)
Contratos ativos 65,4 milhões
Carteira total (empréstimos + cartão) R$ 283,9 bilhões
Taxa média 1,82% a.m.

Dados da nota conjunta das entidades. Fonte: Valor Econômico

A suspensão do consignado e seu impacto imediato

O TCU identificou indícios de fraudes, falhas operacionais e vazamento de dados no sistema e-Consignado do INSS, incluindo contratações irregulares em nome de beneficiários falecidos e práticas de crédito abusivas. A decisão suspendeu cartões consignados, cartões de benefício e novos empréstimos pessoais consignados, e determinou prazos: INSS e Dataprev têm 45 dias para apresentar relatório técnico comprovando a eficácia das medidas de controle; o Banco Central, 30 dias para apresentar alternativas de supervisão reforçada. O contexto não é novo: antes da cautelar ampla, o INSS havia suspendido consignados do Inter e outras três instituições, sinalizando uma escalada de controle que o TCU transformou em paralisação total.

As entidades alertam que a taxa média do consignado do INSS, de 1,82% ao mês, é “uma das mais baixas disponíveis para os segmentos de menor renda”. Sem acesso à linha, aposentados e pensionistas recorreriam a modalidades de crédito pessoal sem garantia, com custo significativamente mais elevado. “A paralisação do consignado do INSS […] penaliza sobretudo uma população de baixa renda e alta vulnerabilidade financeira”, afirmam Febraban, ABBC e Zetta na nota conjunta.

O que o setor propõe como alternativa

As entidades defendem que há instrumentos objetivos de combate à fraude sem necessidade de paralisação total: fiscalização reforçada por instituição financeira, bloqueios pontuais de agentes sob indício de irregularidade, multas e ressarcimentos, auditorias e monitoramento contínuo de reclamações. A posição do setor é que a suspensão abrangente é desproporcional diante das ferramentas disponíveis. Os efeitos de restrições anteriores no consignado já mostraram consequências sistêmicas: suspensões individuais chegaram a travar planos de IPO de fintechs credoras no exterior, indicando que o mercado opera com alta sensibilidade a restrições regulatórias.

O compromisso proposto inclui “implementar, de forma gradual e verificável, todas as medidas e controles compatíveis com o racional definido pelo Tribunal”, preservando a proteção ao beneficiário. A estratégia é oferecer ao TCU um plano de adequação gradual como alternativa à paralisação total.

O que observar

O TCU tem autoridade clara para exigir controles mais rígidos. A disputa é sobre o instrumento: suspensão total versus adequação gradual verificável. Se a modulação for concedida, as contrapartidas de compliance e governança exigidas das instituições credoras vão definir o custo de retorno ao mercado. Operadores com sistemas de monitoramento mais robustos tendem a retomar operações antes, o que pode concentrar o mercado nas instituições com maior capacidade de adequação rápida.

Vale acompanhar o impacto sobre os beneficiários durante a suspensão. Segurados que migrarem para modalidades não garantidas nesse intervalo podem encontrar dificuldade de retornar ao consignado depois, por comprometimento adicional de renda. A pressão social sobre o prazo de modulação pode ser um fator relevante na velocidade da resposta do tribunal, especialmente com o prazo de 30 dias do BC se aproximando.

Fontes: Valor EconômicoExameLet’s Money

Compartilhar essa notícia

Let's News

Entenda o dinheiro antes do mercado.

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.

Mais notíciasCrédito
Ver a editoria

Mais artigos de Crédito

Let's News

Ao assinar, você concorda com a política de privacidade.

Sem spam. Cancele quando quiser.