
A Liqi, empresa de infraestrutura blockchain para o mercado de capitais que tem o Itaú Unibanco como seu segundo maior acionista, lançou ao público a BRLD, uma stablecoin pareada ao real com foco em uso institucional. A iniciativa reforça o avanço das stablecoins como trilhos alternativos para liquidação financeira e gestão de tesouraria no Brasil.
A BRLD tem paridade de 1:1 com o real e é lastreada em títulos do Tesouro Nacional. Segundo a Liqi, a expectativa é que a stablecoin movimente R$ 5 bilhões em transações em 2026, especialmente em operações financeiras tokenizadas. O ativo foi desenvolvido para funcionar como infraestrutura de liquidação em estruturas do mercado de capitais, como securitizações, além de apoiar a gestão de caixa corporativo com maior eficiência operacional.
Diferentemente de stablecoins voltadas ao varejo, a BRLD nasce com foco em empresas e instituições financeiras. A Liqi já utilizava a stablecoin internamente há mais de quatro anos em seus processos de tokenização, o que permitiu amadurecer a infraestrutura antes da abertura ao mercado.
Stablecoin institucional e casos de uso
De acordo com Daniel Coquieri, CEO da Liqi, o lançamento busca resolver gargalos concretos enfrentados por empresas na gestão financeira. Um dos principais problemas citados é a fragmentação do caixa em diferentes instituições, que exige múltiplos acessos, conciliações e movimentações manuais, de acordo com o “Blocknews”.
Ao operar em blockchain e com contratos inteligentes, a BRLD permite liquidação 24 horas por dia, sete dias por semana, além de execução programável de operações financeiras. A proposta é reduzir fricções, aumentar a previsibilidade e oferecer rastreabilidade em processos de liquidação e tesouraria.
No lançamento, a Liqi conta com cerca de 75 empresas parceiras que já utilizam a BRLD em seu ecossistema. A governança é um dos pontos centrais da estratégia. Além do Itaú, a empresa tem entre seus acionistas a Oliveira Trust e a Pátria Investimentos. A auditoria da stablecoin é realizada pela Fact Finance.
BRLD, Drex e o mercado de stablecoins
Segundo a Liqi, a BRLD não tem como objetivo substituir o Drex, mas atuar como infraestrutura complementar em um mercado que vem observando a multiplicação de iniciativas privadas de stablecoins. A empresa avalia que, com o Drex seguindo outro caminho tecnológico, soluções privadas ganham espaço para atender demandas específicas do mercado financeiro.
A BRLD opera em modelo multi-chain, compatível com redes EVM, e também está habilitada para uso na XDC Network, parceira da Liqi em emissões de tokens financeiros. Em 2025, a empresa realizou cerca de R$ 1 bilhão em operações tokenizadas, o que reforça a aposta na stablecoin como próximo passo de sua estratégia.
O lançamento da BRLD se soma a outras iniciativas de stablecoins em real no Brasil, mas se diferencia pelo foco claro em infraestrutura financeira, mercado de capitais e governança, áreas nas quais bancos e grandes instituições têm ampliado sua presença no ecossistema digital.