Foto: Unsplash / Austin Distel
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A NYSE está impulsionando a tokenização de valores mobiliários com o desenvolvimento de uma nova plataforma digital que permitirá negociação e liquidação on‑chain de títulos representados em blockchain. A iniciativa, ainda sujeita a aprovação regulatória nos Estados Unidos, promete transformar a infraestrutura tradicional dos mercados de capitais ao habilitar operações 24 horas por dia, 7 dias por semana, liquidação quase instantânea e uso de stablecoins como meio de financiamento.

A nova plataforma da New York Stock Exchange (NYSE) combina a tecnologia tradicional de negociação da bolsa, incluindo o motor de matching Pillar, com sistemas pós-negociação baseados em blockchain, capazes de suportar liquidação e custódia em múltiplas cadeias, de acordo com informações publicadas pelo “Finextra“.

O objetivo é criar um local de negociação onde valores mobiliários tokenizados possam coexistir com os emitidos de forma convencional, mas com vantagens operacionais significativas como ordens dimensionadas em dólar, fracionalização de posições e liquidação imediata.

Investidores que detiverem ações tokenizadas na plataforma continuarão a ter direitos de dividendos e de governança equivalentes aos acionistas tradicionais. Isso busca preservar a integridade jurídica e regulatória do mercado, mesmo dentro de um ambiente tecnológico inovador. O uso de stablecoins, criptomoedas atreladas ao dólar, como base de financiamento visa reduzir barreiras de transferência de recursos fora do horário bancário tradicional, aproximando os mercados de capitais da eficiência das plataformas de criptoativos.

Estratégia da empresa-mãe da NYSE

A iniciativa faz parte de uma estratégia digital mais ampla da Intercontinental Exchange (ICE), empresa‑mãe da NYSE, que também está adaptando sua infraestrutura de compensação para lidar com negociações ininterruptas e explorando integrações com garantias tokenizadas. Em parceria com grandes bancos como BNY Mellon e Citigroup, o projeto quer habilitar depósitos tokenizados em câmaras de compensação globais, facilitando liquidações e obrigações de margem fora dos horários convencionais.

Esse movimento da NYSE entra no contexto de uma tendência mais ampla em que bolsas tradicionais e instituições financeiras buscam digitalizar infraestrutura de mercado, reduzindo fricções operacionais e ampliando o acesso a investidores em diferentes fusos horários. No entanto, a implementação completa depende ainda de sinal verde dos reguladores, que deverão avaliar impacto sobre proteção de investidores e estabilidade do mercado.

Gabriel Pereira

Fundador da Let's Money

Fundador da Let's Money que da voz a quem constrói o mercado financeiro no Brasil e no mundo.

Fundador da Let's Money que da voz a quem constrói o mercado financeiro no Brasil e no mundo.