
O C6 Bank voltou a carimbar seu nome entre os bancos digitais lucrativos. Em 2025, o banco reportou R$ 2,46 bilhões de lucro líquido, um avanço de 8,5% sobre o ano anterior. Mas o número não é só contábil: sinaliza que o plano traçado por Marcelo Kalim e companhia segue firme — e rentável.
C6 Bank e o crédito como motor
A engrenagem por trás do salto financeiro é a carteira de crédito: cresceu 49% em um ano, somando R$ 89,3 bilhões. O destaque vai para o consignado, que já representa 45% do total, seguido por financiamento de veículos (28%) e crédito pessoal (14%), segundo o Neofeed.
O crescimento veio com controle. Mesmo com o avanço da carteira, a inadimplência acima de 90 dias ficou em 2,9% — uma leve alta frente aos 2,6% de 2024, mas ainda em patamares administráveis.
Com 40 milhões de clientes e R$ 108,3 bilhões em captações (+36% YoY), o C6 ainda operou com índice de eficiência de 45%, ante 57% no ano anterior — um sinal de gestão mais enxuta.
O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), embora menor, ainda impressiona: 45%. A queda em relação aos 60% anteriores é explicada pelo próprio Kalim como “um efeito contábil” da nova regra IFRS, que exige provisões futuras já no presente.
Foco, previsibilidade e zero IPO
Apesar de o setor ver nomes como PicPay, Agibank e Nubank desfilando na NYSE, o C6 segue firme como empresa privada — e sem pressa para mudar isso. Com o J.P. Morgan entre os sócios e caixa confortável, a direção é clara: crescimento com rentabilidade, sem precisar abrir capital.
Para 2026, a aposta continua nos empréstimos com garantia, que já são 80% do portfólio. A novidade é o consignado privado, que começa a ganhar corpo e deve ganhar tração.
Enquanto o mercado especula sobre ciclos de juros e IPOs, Kalim aposta na previsibilidade. “Tudo está na mesma toada”, diz. E no caso do C6, isso parece ser uma boa notícia.