Foto: Reprodução
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A expansão das fintechs na Europa está cada vez menos ligada a crescimento orgânico e cada vez mais a atalhos regulatórios. O movimento mais recente vem da Zilch, que anunciou um acordo para adquirir o Fjord Bank, banco digital com sede na Lituânia e cerca de US$ 120 milhões em ativos. A operação garante à empresa uma licença bancária europeia e cria uma base institucional para acelerar sua entrada em novos mercados do continente.

Com a aquisição, a Zilch passará a deter 100% do Fjord Bank e estabelecerá a Lituânia como sua sede europeia, usando Vilnius como hub operacional e regulatório. O banco é autorizado e supervisionado pelo Banco da Lituânia e pelo Banco Central Europeu, o que permite à fintech operar sob o chamado passaporte regulatório da União Europeia.

Na prática, o movimento elimina a necessidade de buscar licenças país a país, um processo lento, caro e incerto, e dá à empresa acesso imediato a um dos mercados financeiros mais regulados e competitivos do mundo.

Licença bancária vira peça central da estratégia da fintech

Fundado em 2021, o Fjord Bank é um banco digital lucrativo e totalmente regulamentado, com foco em crédito ao consumidor e produtos de poupança. Ao incorporá-lo, a Zilch passa a contar com uma infraestrutura bancária própria, ampliando sua capacidade de ofertar produtos financeiros com maior eficiência de capital e menor dependência de parceiros externos.

Esse tipo de movimento tem se tornado cada vez mais comum entre fintechs maduras. Em vez de operar apenas como camada de interface ou pagamentos, essas empresas buscam controle direto da infraestrutura bancária, especialmente em mercados como o europeu, onde regulação, escala e confiança institucional são decisivas.

Segundo Philip Belamant, cofundador e CEO da Zilch, a aquisição representa um ponto de inflexão na estratégia internacional da companhia. Para ele, a combinação da licença bancária do Fjord com os dados, capacidades de IA e modelo operacional da fintech cria as condições para escalar uma nova geração de financiamento ao consumidor em toda a Europa.

Consolidação, escala e Europa como campo de batalha

O acordo ocorre após um ano particularmente forte para a Zilch. A empresa levantou mais de US$ 175 milhões em dívida e capital próprio, superou US$ 200 milhões em receita anual, garantiu uma segunda licença de pagamentos da Financial Conduct Authority (FCA), lançou o produto de IA Zilch Intelligent Commerce e ultrapassou 5,5 milhões de clientes.

A conclusão da aquisição está prevista para o segundo semestre de 2026, sujeita às aprovações regulatórias. Se confirmada, a operação posiciona a empresa em um grupo cada vez mais seleto de fintechs que combinam escala, rentabilidade e licença bancária própria para disputar o mercado europeu.

Mais do que uma transação isolada, o negócio reforça uma tendência clara: a Europa virou o principal campo de batalha regulatório das fintechs globais, e quem quiser crescer rápido precisa, antes de tudo, garantir uma base bancária sólida dentro do bloco.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.