Foto: Reprodução
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A Guarda, fintech brasileira focada em seguros paramétricos, levantou US$ 806 mil (cerca de R$ 4,5 milhões) em uma rodada pré-seed para acelerar a expansão do seu seguro climático digital voltado ao agronegócio. O plano é usar o capital para validar o modelo em escala já no início de 2026, com testes em até 10 mil hectares.

A rodada reuniu nomes conhecidos do mercado financeiro, de seguros e do ecossistema de fintechs, como José Kfuri (ex-CEO da Marubeni Grãos Brasil), Rodrigo Botti (executivo da Lockton e ex-CFO do IRB), Alan Chusid (fundador da Spin Pay, adquirida pelo Nubank) e Johann von Sothen (cofundador da Solfácil), além do clube de investimento em agrotecnologia Colligo.

Fundada em 2024 por Paula Caldeira e Luiz Fernando Guerreiro, a Guarda nasceu com uma proposta clara: atacar um dos gargalos históricos do agro brasileiro, a baixa penetração do seguro rural, que ainda cobre menos de 10% da área plantada no país.

Aposta da fintech

A aposta da fintech é substituir o modelo tradicional de seguro agrícola, baseado em vistorias de campo e produtividade, por contratos paramétricos acionados exclusivamente por índices climáticos medidos por satélite, como seca ou excesso de chuva.

Na prática, isso elimina etapas subjetivas, reduz custos operacionais e encurta drasticamente o tempo de indenização. Segundo os fundadores, os pagamentos podem ocorrer em até 30 dias após o evento climático, sem necessidade de inspeção presencial.

Outro diferencial é a flexibilidade de contratação. Diferentemente do seguro convencional, que exige adesão antes do plantio, o produto da Guarda pode ser contratado até semanas antes do período crítico de risco, como durante o enchimento dos grãos ou a fase de colheita.

Integração com crédito e canais do agro

Com o novo capital, a fintech pretende acelerar o desenvolvimento da plataforma e integrar o seguro aos fluxos financeiros já existentes no campo, especialmente por meio de cooperativas, revendedores de insumos e instituições que oferecem crédito rural.

A lógica é simples: quem financia o produtor também está exposto ao risco climático. Incorporar o seguro diretamente ao crédito ou à venda de insumos reduz fricções e aumenta a taxa de adoção.

O modelo da Guarda não carrega risco no balanço. As indenizações são pagas por resseguradoras parceiras, incluindo grupos europeus, enquanto a fintech atua na originação, precificação e gestão do produto.

Tecnologia como base da confiança

A plataforma combina dados de satélite, modelos climáticos, inteligência artificial e simulações digitais para definir índices específicos para cada cultura, região e tipo de risco. O produtor consegue acompanhar em tempo real os indicadores que podem acionar o seguro, reduzindo disputas e aumentando a transparência.

Antes de levantar capital, os fundadores passaram meses conversando com produtores, cooperativas e corretores para entender por que o seguro rural tradicional falha em escalar no Brasil. O diagnóstico foi recorrente: custo elevado, pouca clareza nas regras e demora no pagamento.

A Guarda aposta que tecnologia, objetividade e integração com o crédito podem mudar essa equação e transformar o seguro climático de exceção em parte estrutural do financiamento agrícola brasileiro.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.