
Uma fintech fundada por um brasileiro no Vale do Silício acaba de entrar para o radar do movimento de consolidação no setor de tecnologia financeira. A Flourish Fi, criada por Pedro Moura e pela americana Jessica Eting, foi adquirida pelo Telos Labs, estúdio de produtos digitais focado em inteligência artificial e softwares com impacto social. O valor da transação não foi divulgado.
Fundada em 2018, a startup nasceu inicialmente como Flourish Savings, uma conta digital voltada ao público jovem nos Estados Unidos, com foco em educação financeira. Dois anos depois, a empresa passou por uma pivotagem estratégica, mudou de nome e direcionou sua atuação para o modelo B2B, oferecendo tecnologia para engajamento e relacionamento entre instituições financeiras e seus clientes.
A solução da Flourish Fi é integrada diretamente aos aplicativos de bancos e fintechs, combinando conteúdos de educação financeira com sistemas gamificados de recompensas. A proposta é estimular melhores hábitos financeiros e aumentar o engajamento dos usuários dentro das plataformas.
Em 2022, a empresa levantou uma rodada seed de US$ 2,3 milhões, liderada pela Magma Partners, com o objetivo de preparar o produto para uma Série A. O cenário, porém, mudou. Com a retração do mercado de venture capital, a startup revisou seus planos de crescimento acelerado e passou a priorizar eficiência e sustentabilidade.
“O mundo de venture capital mudou muito. Chegamos ao ponto de equilíbrio, mas entendemos que, para o nosso modelo, a escala não viria da forma tradicional”, afirmou Pedro Moura, CEO e cofundador da fintech, segundo a “PEGN“.
Venda da fintech
Segundo o fundador, a venda da empresa foi também uma forma de dar liquidez aos investidores e garantir a continuidade da missão da startup. A integração à Telos Labs permite que a Flourish Fi opere dentro de uma estrutura maior, com mais recursos técnicos e capacidade de acelerar o desenvolvimento de novas soluções.
Atualmente, a fintech mantém cerca de 10 contratos ativos com instituições financeiras em mais de quatro países, incluindo o PicPay, além de bancos na Bolívia, Honduras e México, e uma parceria com a Mastercard. Ao todo, a tecnologia da empresa alcança aproximadamente 500 mil usuários.
O processo de negociação durou cerca de um ano e meio e envolveu conversas com empresas de tecnologia bancária nos Estados Unidos e no Brasil. A escolha pela Telos Labs teve relação direta com o histórico de colaboração entre as companhias, já que o estúdio participou do desenvolvimento dos primeiros protótipos da fintech.
IA no centro do próximo ciclo
Para a Telos Labs, a aquisição faz parte da estratégia de construir um portfólio de produtos apoiados em inteligência artificial. Segundo o CEO do estúdio, Jordan Trevino, a Flourish Fi fortalece a atuação em áreas como comportamento do usuário e engajamento, demandas recorrentes de instituições financeiras.
A fintech continuará operando com sua marca e base de clientes, mas passará a incorporar novas funcionalidades de IA ao seu roadmap. Cerca de 10 profissionais da equipe foram integrados à Telos Labs. Moura seguirá como CEO da Flourish Fi e assumirá também o papel de sócio operacional do estúdio para liderar a expansão dos serviços financeiros.
O negócio reflete uma tendência mais ampla no ecossistema de startups: menos foco em crescimento a qualquer custo e mais consolidação, eficiência e integração com plataformas maiores, especialmente na interseção entre fintech e inteligência artificial.