Foto: Reprodução
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Depois de dois anos de retração, o investimento global em fintech voltou a ganhar tração. Em 2025, o financiamento do setor atingiu US$ 53 bilhões, distribuídos em 5.918 negócios, alta de 21% na comparação anual. Os dados são do mais recente relatório da Innovate Finance, que aponta uma recuperação consistente do apetite dos investidores, especialmente no segundo semestre do ano.

O movimento marca uma virada após um período desafiador para o capital de risco. Entre julho e dezembro, o ritmo de investimentos acelerou 61% em relação ao primeiro semestre, levando os volumes anuais a patamares próximos aos registrados em 2023. O relatório destaca que a retomada foi puxada por rodadas maiores e por maior concentração de capital em plataformas já consolidadas.

Os Estados Unidos mantiveram a liderança global, atraindo US$ 25,1 bilhões em investimentos e reforçando sua posição como o maior mercado de fintech do mundo. Pagamentos e criptomoedas dominaram os maiores aportes do ano, sinalizando onde o capital voltou a se sentir mais confortável em assumir risco.

Pagamentos e cripto puxam as maiores rodadas

Entre os principais negócios de 2025, a Binance levantou US$ 2 bilhões nos Emirados Árabes Unidos, enquanto a Ramp captou US$ 1 bilhão nos EUA. Também se destacaram a Kraken, com US$ 800 milhões, e a PhonePe, com US$ 600 milhões.

No Reino Unido, a rodada mais relevante foi a da FNZ, que atraiu US$ 650 milhões, reforçando a atratividade do país para negócios de infraestrutura financeira e gestão de investimentos.

Reino Unido lidera a Europa, mas recuperação é desigual

O Reino Unido recuperou o segundo lugar global e reassumiu a liderança europeia, com US$ 3,6 bilhões investidos em 2025, ligeiramente à frente da Índia (US$ 3,4 bilhões). Emirados Árabes Unidos (US$ 2,5 bilhões) e Singapura (US$ 2 bilhões) completaram o top 5 global fora dos EUA.

Apesar do protagonismo regional, o investimento em fintech no Reino Unido cresceu apenas 0,4% em relação a 2024 e ainda permanece 37% abaixo dos níveis de 2023. Ainda assim, o segundo semestre mostrou sinais de inflexão, com alta de 11% frente ao primeiro semestre.

Na Europa, o financiamento totalizou US$ 8,8 bilhões, crescimento de 7% ano a ano, distribuído em 1.391 negócios. O Reino Unido respondeu por US$ 3,6 bilhões em 534 rodadas, mais do que os cinco países europeus seguintes somados. A França voltou ao top 10 global, com US$ 1,1 bilhão, seguida pela Alemanha (US$ 1 bilhão).

Capital volta, mas com mais seletividade

Apesar da melhora, a recuperação europeia ficou atrás da observada nos EUA (13%) e no resto do mundo (46%), indicando uma retomada mais lenta e seletiva. Para Janine Hirt, CEO da Innovate Finance, os números demonstram a resiliência do ecossistema britânico, mas reforçam a necessidade de acelerar reformas regulatórias e ampliar o acesso a capital de crescimento para sustentar a liderança global.

A leitura do relatório é clara: o capital voltou ao setor, mas com critérios mais rígidos. Rodadas maiores, foco em modelos já testados e concentração em pagamentos, cripto e infraestrutura indicam que a nova fase do ciclo de fintech será menos sobre volume de apostas e mais sobre escala, eficiência e maturidade dos negócios.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.