Foto: Divulgação
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O Conselho do Federal Reserve (Fed) aprovou o pedido do Banco Inter para estabelecer uma filial bancária em Miami, na Flórida. A autorização permite que a fintech brasileira amplie sua atuação nos Estados Unidos com a oferta de produtos de depósito e crédito, mas sem obter, ao menos por enquanto, uma licença bancária plena no país.

Na prática, a certificação enquadra o Inter como uma state-licensed branch, classificação aplicada a organizações bancárias estrangeiras autorizadas a operar localmente sob regras estaduais. Segundo o Fed, a aprovação não representa riscos à estabilidade do sistema financeiro americano.

Inter mantinha presença nos EUA

Até aqui, o Inter já mantinha presença nos EUA por meio de diferentes estruturas. A operação de transferências internacionais ocorre via Inter Payments, que atua em 44 Estados. Já a Inter US Holdings concentra serviços como financiamento e originação de crédito imobiliário, consultoria para investidores e corretagem de valores mobiliários.

Com a nova filial em Miami, o banco passa a integrar essas frentes sob uma estrutura bancária mais robusta, ainda que limitada. A autorização permite captar depósitos e conceder crédito a pessoas físicas e jurídicas, ampliando o leque de produtos, mas sem alcançar o status de banco comercial pleno, segundo informações do “EInvestidor“.

O movimento reforça uma estratégia recorrente entre fintechs e bancos brasileiros: avançar nos EUA por etapas, calibrando risco regulatório, capital e maturidade do negócio antes de buscar uma licença completa.

Um tabuleiro cada vez mais disputado

A iniciativa do Inter não ocorre de forma isolada. Ela se insere em um contexto mais amplo de ofensiva brasileira sobre o sistema financeiro americano. No início do mês, o BTG Pactual concluiu a aquisição do M.Y. Safra Bank, banco com sede em Nova York, garantindo presença direta no sistema bancário local.

Já o Nubank entrou com pedido de licença bancária nos Estados Unidos em setembro, embora analistas avaliem que o processo pode levar alguns anos até uma eventual aprovação.

Nesse cenário, o Inter adota uma estratégia intermediária: amplia sua atuação regulada, ganha musculatura operacional e constrói histórico junto às autoridades americanas, sem assumir, de imediato, os custos e exigências de uma licença bancária plena.

Mais presença, menos dependência

Do ponto de vista estratégico, a filial em Miami fortalece o posicionamento internacional do Inter e reduz a dependência de estruturas paralelas para atender clientes brasileiros e estrangeiros nos EUA. Além disso, cria base para o desenvolvimento de produtos financeiros mais sofisticados no futuro, especialmente em crédito e depósitos.

Mais do que competir diretamente com bancos americanos, o movimento sinaliza uma ambição clara: estar presente no maior mercado financeiro do mundo, aprender com ele e, quando fizer sentido, dar passos mais largos.

Assim como Revolut e Nubank, o Inter parece seguir a mesma cartilha, com entrar primeiro, ganhar escala e só depois pedir licença para jogar o jogo completo.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.