A Klarna deu mais um passo para reposicionar o e-commerce em um cenário cada vez mais orientado por inteligência artificial. A fintech anunciou o lançamento do Agentic Product Protocol, um padrão aberto que permite que produtos e preços sejam descobertos diretamente por agentes de IA, sem depender de anúncios pagos, marketplaces fechados ou intermediários tradicionais.
A proposta é simples, mas ambiciosa: criar uma camada de dados padronizada que permita que sistemas de IA “entendam” o que existe no mercado em tempo real. O protocolo oferece acesso estruturado a um feed com mais de 100 milhões de produtos e 400 milhões de preços, distribuídos em 12 mercados, com informações atualizadas de disponibilidade e valor.
Na prática, a Klarna está antecipando uma mudança estrutural no comércio digital. Em vez de consumidores navegarem por sites ou aplicativos, agentes de IA passam a buscar, comparar e recomendar produtos de forma autônoma, desde que consigam acessar dados confiáveis, padronizados e atualizados.
Klarna prepara varejo
O novo protocolo foi desenhado para ser interoperável. Comerciantes podem integrar seus catálogos por meio de ferramentas já amplamente utilizadas no mercado, como Google Merchant Center, Shopify, Catálogo do Facebook ou feeds em CSV e JSON. Ao adotar o padrão, os produtos passam a ser “legíveis” por qualquer agente ou plataforma de IA compatível.
Isso muda a lógica da visibilidade no e-commerce. Em vez de disputar atenção por meio de anúncios ou ranqueamento em marketplaces, os lojistas passam a competir pela qualidade e atualização dos dados que alimentam os agentes. A descoberta deixa de ser mediada por cliques e passa a acontecer dentro de conversas conduzidas por inteligência artificial.
Segundo David Sykes, diretor comercial da Klarna, o desafio central do comércio com IA não está no pagamento, mas na descoberta. “Antes que os agentes possam comprar, eles precisam saber o que existe. O protocolo define uma linguagem comum para a troca de dados de produtos entre sistemas de IA, comerciantes e plataformas”, afirmou, de acordo com o “Finextra“.








