Foto: Divulgação
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O Nubank atingiu um marco que vai além do crescimento acelerado típico das fintechs: com 112 milhões de clientes no Brasil, o banco digital já concentra cerca de 61% da população adulta do país. Os dados, divulgados pelo Banco Central do Brasil, colocam o Nu como a segunda maior instituição financeira em número de clientes, atrás apenas da Caixa Econômica Federal, e consolidam seu papel como uma plataforma de escala sistêmica.

Mais do que uma estatística de base, o dado revela uma mudança estrutural no sistema financeiro brasileiro. Em menos de uma década, o Nubank deixou de ser um player alternativo para se tornar presença dominante no cotidiano financeiro da população, com impacto direto sobre concorrência, regulação e desenho de produtos.

Nubank e a escala como vantagem competitiva

O avanço do Nubank não está restrito à expansão da base. Segundo a própria companhia, 85% dos clientes no Brasil permanecem ativos mensalmente, um nível de engajamento incomum para instituições com dezenas de milhões de usuários. Ao mesmo tempo, a receita média por cliente ativo (ARPAC) atingiu o maior patamar histórico no terceiro trimestre de 2025, sinalizando amadurecimento do modelo de negócios.

Esse movimento reforça a estratégia do Nu de aprofundar relacionamento, e não apenas adquirir usuários. Em vez de atuar como um “banco de entrada”, a instituição vem ampliando o uso de conta, crédito, investimentos, seguros e produtos adjacentes, elevando a relevância da plataforma na vida financeira dos clientes.

A leitura de mercado é clara: a escala deixou de ser apenas um efeito colateral do crescimento e passou a ser um ativo central de competitividade. Quanto maior a base, maior a capacidade de diluir custos, testar produtos, negociar funding e sustentar margens em um ambiente cada vez mais pressionado.

Licença bancária e o próximo capítulo

O marco de 112 milhões de clientes chega em um momento estratégico. O Nubank trabalha para obter sua licença bancária no Brasil ainda em 2026, em linha com a Resolução Conjunta nº 17 do Banco Central e do Conselho Monetário Nacional, que restringe o uso do termo “banco” por instituições sem autorização formal.

A obtenção da licença tende a ser menos uma ruptura e mais uma formalização de um status já consolidado na prática. Com escala nacional, alta frequência de uso e indicadores de qualidade consistentes, como uma das menores taxas de reclamação do setor, o Nubank se posiciona cada vez mais como infraestrutura privada essencial do sistema financeiro.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.