Foto: Divulgação
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O Nubank recebeu aprovação condicional para operar como banco nos Estados Unidos, um movimento que coloca a fintech brasileira em um novo patamar na sua estratégia de expansão internacional. A autorização foi concedida pelo Office of the Comptroller of the Currency (OCC) e permite a criação do Nubank, N.A., um banco nacional nos moldes da regulação americana.

Na prática, o aval abre caminho para que o Nubank ofereça, no futuro, produtos como contas de depósito, cartões de crédito, empréstimos e serviços de custódia de ativos digitais no mercado americano. Ainda não se trata de uma licença plena: a empresa entra agora na fase de organização da operação e precisará obter autorizações adicionais da FDIC e do Federal Reserve antes de iniciar atividades comerciais.

O anúncio representa um marco simbólico e estratégico. Desde sua fundação, o Nubank construiu sua trajetória com foco em mercados latino-americanos, especialmente Brasil, México e Colômbia. Avançar no sistema bancário dos Estados Unidos, o mais competitivo e regulado do mundo, sinaliza uma mudança relevante de escala e ambição.

Nubank nos EUA

Segundo o fundador e CEO David Vélez, a aprovação não é apenas uma expansão territorial, mas uma oportunidade de validar o modelo digital do Nubank em um dos mercados mais sofisticados do planeta. A leitura interna é de que o banco já atingiu maturidade operacional suficiente para competir fora do eixo latino.

A operação nos Estados Unidos será liderada por Cristina Junqueira, cofundadora da empresa, que se mudou para o país para comandar a estruturação do novo banco. O conselho de administração terá como presidente Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central do Brasil, reforçando o peso institucional da iniciativa.

Apesar do avanço, o Nubank fez questão de reforçar que o foco principal permanece na América Latina. Hoje, a companhia soma cerca de 127 milhões de clientes nos três principais mercados da região e segue expandindo seu portfólio de produtos bancários, crédito e investimentos.

Próximos passos e impacto estratégico

Com a aprovação condicional, o Nubank terá até 12 meses para capitalizar a nova operação e até 18 meses para iniciar suas atividades, conforme exigido pelos reguladores americanos. A empresa também planeja estabelecer hubs estratégicos em regiões como Miami, Vale do Silício, Virgínia e Carolina do Norte.

Do ponto de vista estratégico, o movimento posiciona o Nubank em uma rota semelhante à de grandes bancos digitais globais, que buscam operar sob múltiplas jurisdições para ganhar escala, diversificar receitas e reduzir dependência de mercados específicos. Também reforça a tendência de bancos digitais latino-americanos mirando os Estados Unidos não apenas como mercado financeiro, mas como plataforma global de tecnologia e serviços.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.