
O PicPay quer valuation entre US$ 2,2 bilhões e US$ 2,6 bilhões em seu IPO na Nasdaq Global Select Market, de acordo com o prospecto protocolado pela fintech na Securities and Exchange Commission (SEC). A faixa indicativa de preço por ação está entre US$ 16 e US$ 19, o que coloca o potencial de captação primária em cerca de US$ 400 milhões já no meio da faixa.
A operação, que pode marcar o retorno das grandes ofertas públicas iniciais de empresas brasileiras nos Estados Unidos, vem cinco anos após a tentativa anterior de listagem do PicPay, descartada em 2021 por condições desfavoráveis de mercado. A intenção agora é aproveitar um ambiente com maior apetite por fintechs na Bolsa americana, segundo o “Brazil Journal“.
PicPay: valuation e números
A avaliação desejada coloca o banco digital num patamar competitivo em relação às peers brasileiros listadas nos EUA e pode gerar impacto também no IPO do Agibank, que busca cerca de US$ 1 bilhão na mesma janela em Nova York.
A oferta terá ancoragem da gestora Bicycle Capital, que se comprometeu com US$ 75 milhões, ainda que esse total possa variar conforme a demanda dos investidores. As ações deverão ser negociadas sob o ticker “PICS” quando começarem a ser negociadas.
Crescimento e contexto operacional
PicPay já deixou para trás o ciclo de prejuízos típico das fintechs em crescimento e apresentou números robustos para os primeiros nove meses de 2025: a receita subiu cerca de 90% em relação ao ano anterior, alcançando mais de R$ 7,3 bilhões, enquanto o lucro cresceu 82%, chegando a R$ 314 milhões. O retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) ficou em 17%, acima de alguns concorrentes, mas ainda abaixo de nomes como Nubank.
A base total de usuários do PicPay é refinada por seus quase 66 milhões de clientes, com mais de 42 milhões de usuários ativos. A fintech se consolidou como um dos maiores bancos digitais do Brasil, ampliando sua oferta para além de pagamentos e QR codes e incluindo crédito, cartões, seguros e serviços financeiros.
A precificação das ações está prevista para 28 de janeiro de 2026, seguindo um roadshow com investidores globais. O sucesso dessa oferta pode indicar uma retomada mais ampla de IPOs de empresas brasileiras nos mercados internacionais, especialmente em setores de tecnologia e fintechs, que têm buscado múltiplos de precificação mais favoráveis fora da América Latina.