Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A Revolut deu um passo decisivo em sua estratégia de expansão internacional ao estrear oficialmente como banco no México. Após pouco mais de três meses de operação em fase beta, a fintech britânica anunciou na terça-feira (27) o lançamento completo de seus serviços bancários no país, movimento que a coloca em rota direta de concorrência com o Nubank.

O México foi o primeiro mercado escolhido pela Revolut fora da Europa e agora se consolida como uma peça central de sua ambição global. Com o lançamento, a fintech passa a oferecer um portfólio bancário completo, incluindo conta remunerada, contas conjuntas, pagamentos de contas, transferências internacionais sem custo entre usuários da plataforma e ferramentas de gestão financeira integradas.

Segundo a empresa, a operação mexicana foi capitalizada com mais de US$ 100 milhões, valor superior ao mínimo exigido pela regulação local. Isso resultou em um Índice de Adequação de Capital (CAR) de 447,2% logo na largada, indicador usado pela Revolut para reforçar o discurso de solidez financeira. A fintech também destacou avaliações positivas de risco concedidas por agências como a S&P National Ratings e a HR Ratings.

“Este lançamento é um modelo para a expansão em outros mercados de alto crescimento”, afirmou Nik Storonsky, CEO e cofundador da Revolut, em nota. A meta da companhia é alcançar 100 milhões de clientes ativos diariamente em 100 países.

México como campo de batalha entre Revolut e Nubank

Na prática, o lançamento da Revolut intensifica a disputa em um mercado que se tornou estratégico para bancos digitais globais. O Nubank escolheu o México como sua primeira expansão internacional, em 2019, e desde então vem ampliando gradualmente sua atuação no país. Em abril de 2025, a fintech brasileira recebeu autorização para operar como banco, após anos funcionando sob o modelo de Sofipo.

Atualmente, o Nubank soma 13,1 milhões de clientes no México, dentro de uma base global de 127 milhões distribuídos entre Brasil, México e Colômbia. A Revolut, por sua vez, afirma ter mais de 70 milhões de clientes no mundo e vê o mercado mexicano como um trampolim para acelerar sua presença em países emergentes.

O discurso das duas empresas converge ao se posicionarem como alternativas digitais aos bancos tradicionais. Ainda assim, as estratégias diferem. Enquanto o Nubank aposta em escala, simplicidade e forte penetração na América Latina, a Revolut avança com uma proposta mais global, multi-produto e voltada a usuários com perfil internacional.

Disputa que vai além do México

O embate entre Revolut e Nubank tende a se estender para outros mercados-chave. Ambas avançam sobre os Estados Unidos, onde o Nubank solicitou licença bancária nacional em 2025, enquanto a Revolut já opera desde 2022, em fase de consolidação regulatória e tecnológica.

Mesmo com menos mercados ativos, o Nubank segue à frente em alguns indicadores. Em valor de mercado, a fintech brasileira é avaliada em cerca de US$ 89,5 bilhões, acima dos US$ 75 bilhões atribuídos à Revolut após uma rodada secundária recente.

Com a estreia oficial como banco no México, a Revolut sinaliza que a disputa entre as duas gigantes digitais entrou em uma nova fase. Mais do que um lançamento local, o movimento reforça o país como epicentro da competição entre superapps financeiros globais, em um jogo que combina escala, regulação e ambição internacional.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.