Foto: Divulgação
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Quase três anos após iniciar suas operações no Brasil com uma conta global, a Revolut começa a sinalizar um novo movimento estratégico: aprofundar sua presença no sistema financeiro nacional. Avaliada em cerca de US$ 75 bilhões, a fintech britânica mira a obtenção de uma licença bancária mais completa no País, com o objetivo de ampliar sua cesta de produtos e disputar clientes não apenas com o Nubank, mas também com os grandes bancos tradicionais.

Atualmente, a Revolut opera no Brasil como Sociedade de Crédito Direto (SCD), estrutura que permite a concessão de crédito com recursos próprios, mas limita a oferta de produtos. O próximo passo desejado é a licença de banco múltiplo, que abriria caminho para uma atuação mais ampla, incluindo novos formatos de crédito e serviços financeiros.

“Esse é um desejo. O timing vai depender da maturidade do negócio e da autorização do Banco Central”, afirmou Glauber Mota, CEO da Revolut no Brasil, em entrevista ao “Estadão“.

Estratégia da Revolut

A estratégia da fintech, ao menos por ora, tende a seguir o caminho orgânico: um pedido direto ao Banco Central. Ainda assim, aquisições não estão totalmente descartadas. Em outros mercados, a Revolut já utilizou abordagens distintas para acelerar sua expansão regulatória. Na Argentina, por exemplo, adquiriu a operação local do banco francês BNP Paribas (Cetelem). Já no México e na Colômbia, avançou por meio do processo regulatório tradicional.

No Brasil, o plano passa por ampliar gradualmente a oferta de produtos. A empresa pretende lançar novas modalidades de cartões e estuda alternativas de crédito lastreadas em investimentos, um modelo que ainda engatinha no mercado local.

“Lá fora, temos até crédito imobiliário. Não duvido que, um dia, possamos explorar isso também aqui”, afirmou Mota.

Modelo global, ambição local

A movimentação inevitavelmente reforça comparações com o Nubank, que também aposta na expansão internacional e já opera de forma relevante no México e na Colômbia, além de ter solicitado licença bancária nos Estados Unidos. Ainda assim, o CEO da Revolut destaca diferenças estruturais entre os modelos de negócio.

Enquanto o Nubank construiu sua escala a partir de mercados locais fortes, sobretudo no Brasil, a Revolut nasceu com uma lógica global. Presente em mais de 40 países, a fintech britânica priorizou desde cedo produtos cross-border, como contas multimoeda e câmbio internacional, atraindo um público de maior renda e com perfil internacionalizado.

“Nosso modelo de negócio não depende tanto do crédito”, diz Mota, ao explicar que a estratégia da empresa sempre foi diversificar receitas antes de aprofundar a oferta local de empréstimos.

Escala crescente e disputa cada vez mais direta

Atualmente, a Revolut soma mais de 65 milhões de clientes no mundo e adiciona cerca de 1,2 milhão de novos usuários por mês, ritmo que reforça sua ambição global. O Nubank, por sua vez, encerrou o terceiro trimestre de 2025 com uma base de 127 milhões de clientes, concentrada majoritariamente no Brasil.

A eventual obtenção de uma licença bancária completa colocaria a Revolut em um novo patamar competitivo no país, permitindo disputar não apenas clientes globais e de alta renda, mas também fatias mais amplas do varejo financeiro brasileiro.

Mais do que um movimento regulatório, trata-se de um sinal claro: a fintech britânica não quer ser apenas uma conta internacional no Brasil, quer jogar o jogo completo do sistema financeiro local.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.