
A Revolut intensificou sua estratégia de expansão internacional e entrou em negociações para adquirir o Fups, um neobanco turco de menor porte. As conversas, ainda em estágio inicial, fazem parte do movimento da fintech britânica de incorporar fusões e aquisições como pilar de crescimento global, segundo informações divulgadas pela Bloomberg.
De acordo com fontes familiarizadas com o assunto, nenhuma decisão final foi tomada até o momento e não há garantia de que a operação será concluída. A Revolut preferiu não comentar oficialmente as negociações. Ainda assim, o interesse reforça uma mudança relevante na postura da empresa, que vem ampliando sua atuação em mercados estratégicos fora do eixo tradicional Europa Ocidental–Estados Unidos.
Revolut amplia estratégia de M&A
O Fups recebeu licença bancária na Turquia em 2022, com um capital inicial de US$ 81 milhões. Apesar de pouco conhecido fora do país, o banco digital opera sob regulação local e contava, em setembro, com cerca de 60 funcionários.
Para a Revolut, a aquisição poderia representar uma forma mais rápida de entrada ou consolidação em um mercado emergente relevante, evitando o caminho mais longo e custoso de obtenção de licenças do zero.
Nos últimos anos, a Revolut reforçou sua equipe dedicada a fusões e aquisições, sinalizando que o crescimento orgânico deixou de ser a única via de expansão. A fintech concluiu seis aquisições nos últimos quatro anos, com aceleração clara em 2025, período em que passou a buscar ativos complementares ao seu ecossistema financeiro.
Expansão além do core financeiro
A aquisição mais recente da Revolut foi concluída em outubro de 2025, com a compra da Swifty, uma startup de agência de viagens com inteligência artificial incubada originalmente no Lufthansa Innovation Hub, em Berlim. O negócio indicou que a empresa está disposta a ir além do core bancário tradicional, incorporando serviços adjacentes ao seu modelo de superaplicativo.
O possível acordo com o Fups se encaixa nessa lógica de expansão modular, combinando presença local, licença regulatória e integração tecnológica. Ao avançar sobre a Turquia, um mercado com grande população, alto uso de serviços digitais e histórico de volatilidade macroeconômica, a Revolut também amplia sua exposição a regiões onde soluções financeiras digitais tendem a ganhar tração mais rapidamente.
Mais do que uma transação pontual, as negociações reforçam uma tendência mais ampla no setor: fintechs globais maduras estão usando M&A como atalho regulatório e estratégico para escalar em novos mercados. Para a Revolut, que já atua em dezenas de países, a consolidação via aquisições passa a ser uma ferramenta central para sustentar crescimento, diversificação e relevância global.