
A Ruvo entra no radar do mercado financeiro com uma proposta ambiciosa: tornar transferências entre Brasil e Estados Unidos tão simples quanto um Pix. Fundada pelo ex-executivo do Uber Alec Howard, a fintech aposta no uso de stablecoins para reduzir custos, eliminar fricções e acelerar operações cross-border, em um mercado que movimenta bilhões de dólares todos os anos.
A startup acaba de levantar US$ 4,6 milhões em uma rodada liderada pela 1confirmation e conta com o apoio da Y Combinator, uma das mais influentes do ecossistema global de startups. A Ruvo já está em operação e conecta, em uma única wallet, o Pix, stablecoins e o sistema de pagamentos da Visa, segundo o “Brazil Journal“.
A proposta foi desenhada principalmente para brasileiros, pessoas físicas e empresas, que recebem recursos no exterior e precisam enviar dinheiro para o Brasil, embora o fluxo também funcione no sentido inverso. A conta permite transferências quase instantâneas, compras internacionais em dólar por meio de cartão Visa e investimentos em USDT, stablecoin atrelada ao dólar, com rendimento anunciado de até 6% ao ano.
Stablecoins como trilho de pagamentos internacionais
A ideia da Ruvo surgiu a partir da observação de modelos já utilizados em países como México e Argentina, onde stablecoins vêm sendo adotadas para facilitar remessas de expatriados. Segundo Howard, apesar do volume expressivo de brasileiros que movimentam recursos entre fronteiras, faltava no Brasil uma solução integrada, simples e com custos mais baixos.
Atualmente, estima-se que mais de 30 milhões de brasileiros realizem pagamentos ou transferências internacionais, em um volume anual próximo de US$ 150 bilhões. Nesse contexto, taxas de câmbio desfavoráveis, tarifas ocultas e a lentidão da infraestrutura tradicional, como o sistema Swift, ainda representam perdas relevantes. Enquanto transferências tradicionais podem levar até cinco dias úteis, operações via stablecoins acontecem quase em tempo real, replicando a experiência do Pix.
Outro atrativo é o tratamento tributário. Pagamentos com stablecoins hoje não sofrem incidência de IOF, o que reduz ainda mais o custo das operações, embora o tema esteja no radar das autoridades fiscais e regulatórias.
Expansão, regulação e próximos passos
Com sede no Brasil, a Ruvo opera em parceria com bancos brasileiros e americanos para viabilizar as transações e afirma seguir as regras regulatórias vigentes. A fintech diz estar preparada para se adequar às futuras normas do Banco Central do Brasil, especialmente no que diz respeito à regulação de criptoativos e stablecoins.
As taxas cobradas variam conforme o perfil do cliente. Para pessoas físicas, a Ruvo cobra 0,9% em transferências entre USDT e moedas fiduciárias e 1,8% entre dólar e real. Para empresas, os percentuais são menores, de 0,2% e 0,4%, respectivamente. Movimentações entre criptoativos não têm custo.
A aposta da Ruvo se insere em uma tendência mais ampla de uso de blockchain como infraestrutura de pagamentos internacionais, ao lado de outras startups que começam a explorar esse espaço. Para a empresa, a missão é clara: aproximar sistemas financeiros de países diferentes e transformar transferências internacionais em algo tão simples quanto enviar um Pix.