Foto: Reprodução
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A Inteligência Artificial entrou definitivamente em uma nova fase. O que antes era tratado como piloto, laboratório ou prova de conceito passou a ocupar o centro das decisões estratégicas das organizações. Este artigo explora por que 2025 representa o encerramento simbólico da “era do piloto” e o início da IA como obrigação de negócio, abordando impactos práticos, desafios reais e oportunidades concretas para líderes e executivos.

A partir de uma visão clara e aplicada, discutimos como a IA se conecta a eficiência operacional, competitividade, experiência do cliente e governança, além de apresentar caminhos para transformar intenção em resultado. Mais do que tecnologia, falamos de decisão, cultura e execução.

Introdução

Durante anos, a Inteligência Artificial foi tratada como promessa. Em especial nos últimos três anos, as empresas investiram em pilotos, testes controlados e iniciativas isoladas, muitas vezes desconectadas da estratégia central do negócio. Esse movimento foi importante para aprendizado, maturação tecnológica e redução de riscos, mas também criou uma zona de conforto: a sensação de que experimentar era suficiente.

Esse cenário mudou. Em 2025, a IA deixou de ser opcional ou exploratória e passou a ser uma exigência competitiva. Organizações que não avançaram além dos pilotos começaram a sentir impactos diretos em produtividade, custos, experiência do cliente e velocidade de decisão. Ao mesmo tempo, empresas que escalaram o uso de IA passaram a operar em outro patamar de eficiência e inteligência.

A pergunta já não é mais “se” a empresa deve usar IA, mas “como” e “com que velocidade” ela consegue transformar essa tecnologia em valor real para o negócio.

Da experimentação à obrigação estratégica

A chamada “era do piloto” cumpriu seu papel. Ela permitiu testar modelos, entender limitações, explorar dados e criar familiaridade com conceitos como machine learning, automação inteligente e, mais recentemente, IA generativa. No entanto, pilotos eternos não geram vantagem competitiva sustentável.

Quando a IA passa a impactar diretamente indicadores como custo operacional, tempo de resposta, taxa de conversão, inadimplência, churn ou satisfação do cliente, ela deixa de ser um tema técnico e se torna uma agenda executiva. Nesse estágio, a IA precisa estar conectada à estratégia, ao planejamento e à governança da organização.

Empresas líderes já entenderam que IA não é um projeto, mas uma capacidade organizacional contínua.

Exemplos práticos de IA como obrigação de negócio

Na prática, essa mudança se materializa de várias formas:

●     Eficiência operacional: automação de processos com IA reduz retrabalho, acelera fluxos e libera pessoas para atividades de maior valor. Não se trata mais de “testar um robô”, mas de redesenhar processos inteiros com inteligência embarcada.

●     Experiência do cliente: chatbots evoluíram para assistentes inteligentes capazes de resolver demandas complexas, personalizar ofertas e antecipar necessidades. Empresas que não avançam nisso oferecem experiências claramente inferiores.

●     Tomada de decisão baseada em dados: modelos preditivos e analíticos deixaram de ser diferenciais e passaram a ser o mínimo esperado para gestão de risco, crédito, pricing e planejamento.

●     Produtividade de times: o uso de IA generativa no desenvolvimento de software, marketing, jurídico, RH e atendimento já mostra ganhos expressivos de velocidade e qualidade. Ignorar isso significa operar com desvantagem estrutural.

Esses exemplos mostram que a IA deixou de estar “à margem” e passou a estar no núcleo das operações.

Desafios reais para escalar a IA

Apesar da urgência, escalar IA não é trivial. Alguns desafios se destacam:

● Dados: sem qualidade, governança e integração, a IA não entrega valor. Muitas organizações ainda subestimam esse ponto.

● Cultura e pessoas: medo de substituição, resistência à mudança e falta de capacitação continuam sendo barreiras relevantes.

● Governança e riscos: vieses algorítmicos, uso inadequado de dados, explicabilidade e conformidade regulatória exigem atenção crescente.

●     Fragmentação de iniciativas: quando cada área cria suas próprias soluções sem alinhamento estratégico, o resultado é desperdício e baixa escala.

Superar esses desafios exige liderança clara, priorização e visão de longo prazo.

Oportunidades para quem age agora

Ao mesmo tempo, o momento atual oferece uma oportunidade única. A maturidade das tecnologias, combinada com maior clareza regulatória e abundância de casos de uso, reduz incertezas e acelera retornos.

Organizações que estruturam uma agenda clara de IA conseguem:

● Criar vantagem competitiva sustentável;

● Tomar decisões mais rápidas e assertivas;

● Oferecer experiências superiores aos clientes;

●     Aumentar produtividade sem crescimento proporcional de custos.

Mais do que adotar ferramentas, trata-se de construir uma capacidade organizacional orientada por dados e inteligência.

Conexão com tendências atuais

A consolidação da IA como obrigação de negócio se conecta diretamente a tendências como:

● IA generativa aplicada (além do hype);

● Automação inteligente ponta a ponta;

● Plataformas de dados modernas;

● Responsible AI e governança algorítmica;

●     Integração entre humanos e sistemas inteligentes.

Essas tendências reforçam que o diferencial não está na tecnologia isolada, mas na forma como ela é integrada à estratégia, às pessoas e aos processos.

Conclusão

O encerramento da era do piloto marca uma virada definitiva. A Inteligência Artificial deixou de ser experimento e passou a ser obrigação de negócio. Empresas que ainda tratam IA como algo periférico correm o risco de perder relevância, eficiência e competitividade em um mercado cada vez mais orientado por dados e automação.

O insight central é claro: IA não é mais sobre testar, é sobre executar. Isso exige visão estratégica, liderança, governança e foco em valor real. Organizações que assumirem essa agenda de forma estruturada não apenas acompanharão o mercado, mas ajudarão a definir os novos padrões de eficiência e inovação.

A mensagem final é direta: quem não escalar IA agora, provavelmente terá dificuldade de escalar o próprio negócio no futuro próximo.

Mateus Casanova

Head Inovação, Inteligência Artificial, Open Finance, Ativos Digitais e Drex na Unicred Brasil

Executivo de Tecnologia, Inovação e Produtos com mais de 20 anos de experiência, especializado em transformação digital no setor financeiro. Atualmente, lidera iniciativas estratégicas em Inovação, Drex e Inteligência Artificial na Unicred Brasil, com foco em promover inovação, eficiência operacional e o desenvolvimento de produtos financeiros digitais de alto impacto.

Executivo de Tecnologia, Inovação e Produtos com mais de 20 anos de experiência, especializado em transformação digital no setor financeiro. Atualmente, lidera iniciativas estratégicas em Inovação, Drex e Inteligência Artificial na Unicred Brasil, com foco em promover inovação, eficiência operacional e o desenvolvimento de produtos financeiros digitais de alto impacto.