O Banco Inter está desenvolvendo um “concierge digital” de IA para escalar o modelo de atendimento dos advisors internos, hoje restrito a clientes de alta renda, para a base de 8,8 milhões de investidores na plataforma. O objetivo é personalizar a jornada sem depender de assessorias de terceiros, segundo Mônica Saccarelli, diretora de investimentos do banco, em entrevista ao Valor Investe.
Inter Invest: os números
| Indicador |
Dado |
| Clientes ativos |
43 milhões |
| Investidores com carteira |
8,8 milhões |
| Meta de clientes (até 2027) |
60 milhões |
| Mínimo para conta exterior |
US$ 10 |
| Bônus CDB da comunidade |
até +2% CDI |
Indicadores do Inter Invest. Fonte: Valor Investe
De chatbot a concierge de IA: o próximo passo do Inter
O banco lançou um chatbot de investimentos no ano passado para tirar dúvidas sobre produtos e serviços. Para Saccarelli, esse é “só o início”. O concierge digital tem escopo mais amplo: replicar, com IA, a lógica de recomendação personalizada que um advisor humano faz hoje apenas para os clientes de alta renda. “A dificuldade para o investidor iniciante é a escolha do produto. Pelo aplicativo, nós temos muitos dados sobre comportamento. Baseado nisso e no seu perfil de investidor, conseguimos fazer essa jornada personalizada para cada um dos clientes”, afirmou a executiva.
Em janeiro, o banco reportou 2 milhões de interações mensais com seu assistente de IA, base sobre a qual o concierge será construído. Para sustentar o desenvolvimento, o Inter abriu um escritório na Flórida com foco em capturar sinergia de tecnologia e capital humano do mercado americano. A aposta é em modelos de IA proprietários, não em soluções de terceiros, e o ritmo de desenvolvimento é descrito pela diretora como “a todo vapor”.
Comunidade, conta PJ e democratização do off-shore
O Inter também criou um hub de conteúdo interno, com interface inspirada no Instagram, onde clientes publicam, formam comunidades e trocam experiências. A camada financeira é um diferencial: quanto mais membros a comunidade tem, maior a remuneração do “cofrinho” coletivo, um CDB com taxa que pode ser turbinada em até 2% acima do CDI. “O Inter foi pioneiro nisso. Porque você não investe sozinho, vai falando para um, para outro, e o bolo cresce”, disse Saccarelli. O modelo cria um mecanismo de indicação com incentivo financeiro direto.
Na frente de pessoas jurídicas, o banco abriu espaço para PMEs com o “Cofrinho PJ”, replicando o modelo do Porquinho para empresas. Na conta exterior, a barreira de entrada é de apenas US$ 10 para começar a montar carteira nos EUA. O banco recebeu aval do Fed para ampliar sua presença nos EUA com filial em Miami. A meta é atingir 60 milhões de clientes até o final de 2027, contra os 43 milhões ativos hoje.
O que observar
O ponto central é se um concierge de IA consegue replicar a confiança que o investidor iniciante deposita num advisor humano. A resposta vai definir se o modelo corrói o principal valor dos assessores autônomos, que é a relação pessoal com o cliente, ou se IA e advisor acabam coexistindo em faixas de renda distintas. O prazo relevante é curto: com 8,8 milhões de investidores já na plataforma, qualquer ganho de engajamento por IA se traduz em volume expressivo de AuC.
O hub de conteúdo é uma aposta diferenciada: ao criar uma rede onde o bônus do CDB cresce com o tamanho da comunidade, o banco monta um mecanismo de indicação com componente financeiro que plataformas de distribuição independente não conseguem replicar facilmente. Vale acompanhar se o engajamento com a comunidade se traduz em diversificação real de carteira, o maior gargalo declarado pela própria diretora, ou apenas em concentração em mais produtos de renda fixa da mesma instituição.
Fontes: Valor Investe • Let’s Money • Let’s Money