Foto: Divulgação
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A Notion iniciou oficialmente sua operação no Brasil como parte de uma estratégia mais ampla de crescimento antes de uma possível abertura de capital. Avaliada em cerca de US$ 12 bilhões, a companhia aposta no país como um mercado-chave para sustentar escala, ampliar receita recorrente e fortalecer sua presença fora dos Estados Unidos, hoje, mais de 80% de seus usuários já estão fora do mercado americano.

A chegada ao Brasil marca uma mudança importante na postura da empresa, que até então operava de forma remota a partir de San Francisco. Agora, a Notion passa a contar com liderança local, focada tanto em startups quanto em grandes empresas, em um movimento alinhado ao amadurecimento do ecossistema brasileiro de tecnologia e inovação.

Brasil como mercado estratégico, não tático

Segundo Joshua Kim, líder de growth marketing da Notion, o Brasil atingiu um nível de maturidade que o torna essencial na estratégia global da companhia.

“O Brasil chegou a um estágio em que fundadores e times estão construindo empresas mais estruturadas e com mentalidade global. Isso aumenta naturalmente a demanda por ferramentas que organizem trabalho, conhecimento e equipes”, afirmou o executivo, de acordo com o “Startups“.

A leitura da empresa é clara: o país deixou de ser apenas um mercado emergente para se tornar um hub de talentos, startups e empresas em escala, com alto grau de adoção de tecnologia — especialmente soluções baseadas em nuvem e inteligência artificial.

Expansão no Brasil faz parte do plano pré-IPO

A decisão de investir em presença física no país está diretamente ligada ao momento pré-IPO da companhia. Fundada em 2013, a Notion pode buscar uma abertura de capital ainda em 2026, com expectativa de levantar cerca de US$ 200 milhões.

Atualmente, a empresa soma mais de 100 milhões de usuários globais, com cerca de 4 milhões de clientes pagantes. Em 2025, a receita atingiu US$ 600 milhões, um crescimento de 50% em relação ao ano anterior, e há expectativa de chegar a US$ 1 bilhão em ARR nos próximos meses.

Caso esse patamar se confirme, analistas apontam que o valuation no IPO pode variar entre US$ 15 bilhões e US$ 20 bilhões, em linha com múltiplos mais realistas e sustentáveis, um movimento semelhante ao observado em empresas como Figma, Datadog e Klaviyo.

IA e agentes como próxima fronteira

Além da expansão geográfica, a Notion aposta fortemente em inteligência artificial como nova alavanca de crescimento. Em 2025, a empresa apresentou seus primeiros agentes de IA, capazes de usar páginas e bases de dados como contexto para gerar relatórios, análises de concorrência, resumos de reuniões e feedbacks automaticamente.

Nesse ponto, o Brasil aparece novamente como destaque. Segundo a companhia, usuários brasileiros estão entre os mais engajados do mundo no uso de IA integrada ao fluxo de trabalho, um sinal relevante para a priorização do país na estratégia global.

“O Brasil não é uma aposta de curto prazo. É um investimento de longo prazo em um mercado que combina escala, sofisticação e apetite por inovação”, reforça Joshua Kim.

Com operação local estruturada, foco em crescimento sustentável e um IPO no horizonte, a Notion sinaliza que vê o Brasil não apenas como mais um mercado, mas como parte central de sua próxima fase de expansão global.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.