Foto: Divulgação
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A OpenAI deu mais um passo para transformar a inteligência artificial em infraestrutura central do setor de saúde. A companhia anunciou a aquisição da Torch Health, em um movimento de acqui-hire voltado a acelerar o desenvolvimento do ChatGPT Health, seu novo chatbot dedicado a saúde e bem-estar.

Segundo comunicado divulgado pelas empresas, o time da Torch será incorporado à OpenAI para trabalhar diretamente na evolução do produto. De acordo com o site The Information, a transação teria envolvido cerca de US$ 100 milhões em equity, embora os valores não tenham sido confirmados oficialmente.

O ChatGPT Health foi anunciado recentemente como uma extensão do ChatGPT, com foco em organizar, interpretar e contextualizar dados de saúde pessoais. A ferramenta permitirá integração com registros médicos e aplicativos de bem-estar como Apple Health, MyFitnessPal e plataformas de monitoramento físico, ampliando o uso da IA para além de respostas genéricas.

Dados fragmentados no centro da estratégia

A aquisição da Torch Health não é casual. Fundada em 2024 por ex-executivos da Forward Health, a startup desenvolveu uma plataforma voltada a unificar dados médicos dispersos, como prontuários hospitalares, exames laboratoriais e informações de dispositivos vestíveis, em um único ambiente compreensível para o usuário e utilizável por modelos de IA.

Esse é exatamente o gargalo que a OpenAI tenta resolver com o ChatGPT Health: transformar grandes volumes de dados fragmentados em contexto contínuo, algo essencial para aplicações mais avançadas em saúde.

“Criamos a Torch para construir uma memória médica para a IA, unificando registros dispersos em um mecanismo de contexto”, afirmaram os fundadores da startup em nota. “Agora, estamos nos unindo à OpenAI para escalar essa visão.”

IA disputa espaço no setor de saúde

O movimento reforça uma tendência clara no mercado: a saúde virou uma das próximas grandes fronteiras da inteligência artificial. Além do potencial de escala, o setor concentra dados complexos, alto custo operacional e grande demanda por automação e suporte à decisão.

A OpenAI não está sozinha nessa corrida. Recentemente, a Anthropic lançou o Claude for Healthcare, um conjunto de ferramentas voltadas a consultas clínicas, operações hospitalares e pesquisa em life sciences. Outras big techs também avançam em iniciativas semelhantes, combinando IA generativa com dados sensíveis e regulados.

De chatbot a camada de infraestrutura

Ao absorver a Torch Health, a OpenAI sinaliza que o ChatGPT Health não será apenas um assistente informativo, mas uma camada de infraestrutura para organização e interpretação de dados médicos. Isso amplia o escopo do produto e aproxima a empresa de aplicações mais profundas, como suporte clínico, acompanhamento contínuo de pacientes e integração com sistemas de saúde.

O desafio, porém, vai além da tecnologia. Questões como privacidade, segurança da informação e regulação serão determinantes para o ritmo de adoção dessas soluções, especialmente em mercados mais sensíveis.

Ainda assim, a aquisição deixa claro o direcionamento estratégico da OpenAI: usar aquisições cirúrgicas para acelerar produtos-chave e posicionar seus modelos como base operacional de setores inteiros, agora, também da saúde.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.