OpenAI
Foto: Getty Images | NurPhoto

A OpenAI está em negociações para levantar até US$ 100 bilhões em uma nova rodada de financiamento que envolve alguns dos maiores grupos de tecnologia do mundo. Segundo informações do Financial Times, empresas como Amazon, Microsoft e Nvidia, que já atuam como fornecedoras estratégicas de infraestrutura da companhia, discutem aportes bilionários para sustentar a próxima fase de expansão da startup de inteligência artificial.

De acordo com as apurações, a Nvidia avalia investir até US$ 20 bilhões, enquanto a Amazon negocia uma contribuição mínima de US$ 10 bilhões. Já a Microsoft, que detém cerca de 27% da OpenAI, também poderia aportar novos recursos, embora em valor inferior ao das demais. Em paralelo, o SoftBank negocia um investimento adicional de até US$ 30 bilhões, ampliando uma posição que já foi reforçada em dezembro.

Caso a rodada se concretize nos termos discutidos, a OpenAI pode alcançar uma avaliação de até US$ 750 bilhões, consolidando-se como uma das empresas privadas mais valiosas do mundo, mesmo sem ainda operar com lucro.

OpenAI e a corrida por infraestrutura de IA

A captação bilionária ocorre em um momento de forte pressão por escala computacional. A OpenAI já se comprometeu a investir mais de US$ 1,4 trilhão em infraestrutura de inteligência artificial nos próximos anos, principalmente em chips, data centers e capacidade energética para sustentar modelos cada vez mais complexos.

É justamente essa dependência que levanta questionamentos no mercado. Analistas ouvidos pelo Financial Times apontam preocupações com a natureza “circular” dos acordos financeiros, já que os mesmos grupos que fornecem infraestrutura, como chips e nuvem, também podem se tornar grandes financiadores da empresa.

Ainda assim, o movimento reflete uma mudança estrutural no setor. O desenvolvimento de modelos de IA de fronteira passou a exigir volumes de capital comparáveis aos de grandes projetos industriais, aproximando startups de tecnologia dos gigantes tradicionais da computação e da infraestrutura digital.

Expansão global e consolidação estratégica

Além das negociações com grupos americanos, o CEO da OpenAI, Sam Altman, tem buscado investidores no Oriente Médio, ampliando o alcance geográfico da rodada. A estratégia reforça a ambição da empresa de se posicionar como uma plataforma global de IA, com presença transversal em setores como software, pagamentos, finanças e serviços corporativos.

O movimento também dialoga com a evolução das próprias big techs. Em sua mais recente divulgação de resultados, Satya Nadella afirmou que a inteligência artificial já se tornou um negócio maior do que algumas das principais franquias históricas da Microsoft, sinalizando que a IA deixou de ser um experimento para se tornar o centro da estratégia corporativa.

Para a OpenAI, a rodada não é apenas sobre valuation, mas sobre sobrevivência competitiva. Em um mercado em que escala computacional define liderança, o acesso contínuo a capital, chips e nuvem se tornou tão estratégico quanto o próprio talento em pesquisa. A disputa agora não é apenas por modelos melhores, mas por quem consegue financiá-los.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.