Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O avanço da inteligência artificial no comércio digital começa a redefinir quem controla o checkout. Em mais um movimento estratégico, o PayPal anunciou suporte ao Protocolo Universal de Comércio (UCP) do Google, padrão aberto criado para viabilizar compras feitas diretamente por agentes de IA em ambientes como a Busca e o aplicativo Gemini.

Na prática, o acordo posiciona o PayPal como opção de pagamento nativa em um novo modelo de checkout baseado em IA, no qual o consumidor descobre, compara, decide e conclui a compra sem sair do fluxo conversacional. A iniciativa reforça a disputa por relevância na infraestrutura invisível do comércio digital, camada que conecta IA, varejo e pagamentos.

PayPal quer ser diferente

Com agentes de IA assumindo parte crescente da jornada de compra, o desafio deixa de ser apenas experiência do usuário e passa a ser interoperabilidade, segurança e confiança. É nesse ponto que o PayPal tenta se diferenciar: atuar como uma camada confiável de pagamentos em um ecossistema fragmentado de plataformas, agentes e marketplaces.

Segundo Michelle Gill, gerente geral de pequenas empresas e serviços financeiros do PayPal, apoiar o UCP é essencial para viabilizar o comércio autônomo. “A próxima geração do comércio será definida pela nossa capacidade de construir uma infraestrutura aberta e confiável que atenda a todos”, afirmou, segundo o “Finextra“.

O UCP permite que comerciantes conectem seus catálogos uma única vez e os disponibilizem em múltiplos ambientes de IA, mantendo controle sobre preços, pagamentos e políticas. Para o PayPal, isso significa ampliar sua presença além do botão tradicional de checkout, passando a operar nos bastidores das decisões automatizadas de compra.

Pagamentos na era dos agentes

O movimento também sinaliza uma mudança mais ampla no setor. À medida que agentes de IA passam a executar transações em nome do usuário, o pagamento deixa de ser um ato consciente e passa a ser um serviço embutido, exigindo padrões claros, tokens compartilhados e mecanismos robustos de prevenção a fraudes.

De acordo com Prakhar Mehrotra, a interoperabilidade é o fator crítico para escalar esse modelo. “Protocolos como o UCP transformam o comércio orientado por agentes em algo que os comerciantes podem realmente adotar em larga escala”, disse.

Para o Google, o apoio do PayPal fortalece a ambição de transformar seus produtos de IA em ambientes transacionais completos, não apenas ferramentas de busca ou recomendação. “Para que o comércio orientado por agentes seja escalável, o setor precisa se alinhar em padrões comuns”, afirmou Ashish Gupta, responsável pela frente de Merchant Shopping.

Disputa pelo futuro do comércio

Mais do que uma parceria pontual, o acordo indica uma disputa estratégica: quem será a infraestrutura padrão do comércio mediado por IA. Enquanto big techs controlam a interface e os agentes, empresas como o PayPal tentam garantir que o dinheiro continue fluindo por suas redes, independentemente de onde a compra acontece.

No fim, o futuro do comércio pode não pertencer a quem domina a vitrine, mas a quem consegue operar, com confiança, o pagamento invisível por trás da decisão da IA.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.