A Sensedia lançou o AI Gateway durante a 11ª edição do APIX, em São Paulo, ampliando seu portfólio de gerenciamento de APIs para a governança de agentes de inteligência artificial em ambientes corporativos. O produto entra simultaneamente nos mercados do Brasil, América Latina e Estados Unidos.
AI Gateway da Sensedia: recursos e problemas resolvidos
| Recurso |
O que resolve |
| Controle centralizado de MCPs e dados sensíveis |
Shadow AI e acesso não rastreável |
| Monitoramento de custos de tokens e processamento |
Orçamentos de IA fora de controle |
| Observabilidade do comportamento dos agentes |
Falta de rastreabilidade em sistemas corporativos |
| Agnóstico a modelos (OpenAI, Anthropic, Google, Meta) |
Lock-in de fornecedor de LLM |
| Multi-cloud (AWS, Azure, GCP) |
Dependência de infraestrutura |
Recursos anunciados no APIX 2026. Fonte: IT Forum
De API Gateway a AI Gateway: nova camada de controle
A Sensedia opera há mais de uma década como fornecedora de plataformas de gerenciamento de APIs. O AI Gateway estende esse papel para uma nova camada da pilha de TI corporativa: a ponte entre os sistemas determinísticos das empresas, como ERPs e CRMs, e o comportamento não determinístico dos modelos de linguagem. Kleber Bacili, cofundador e presidente-executivo da Sensedia, afirma: “Se o API Gateway foi o centro da conectividade empresarial na última década, o AI Gateway surge como a camada de controle para um mundo agêntico. O desafio agora não é apenas disponibilizar dados, mas garantir que agentes de IA os utilizem com segurança, governança e previsibilidade de custos.”
O produto é agnóstico a gateways, modelos e protocolos, roteando tráfego entre diferentes provedores de LLMs e operando em múltiplas infraestruturas de cloud sem criar vínculo com um único fornecedor. O contexto é o que o setor chama de era agêntica: o momento em que organizações deixam os projetos-piloto de IA para trás e passam a operar agentes autônomos capazes de executar processos de negócio sem intervenção humana contínua. Para o Let’s Money, a IA agêntica já expõe uma nova divisão entre as grandes plataformas de tecnologia, separando padrões abertos de modelos de controle fechado.
Shadow AI e o custo da conectividade sem controle
Sem um ponto centralizado de controle, as organizações enfrentam o crescimento da Shadow AI: o uso fragmentado e não monitorado de inteligência artificial que expõe chaves de API, retira orçamentos do controle e deixa dados sensíveis circulando sem rastreabilidade. Marcilio Oliveira, cofundador e diretor de crescimento da Sensedia, diz que “a governança precisa estar presente desde o início da estratégia de IA. […] especialmente relevante em setores regulados, como serviços financeiros, seguros e varejo, onde a adoção de agentes autônomos exige controle rigoroso sobre dados e processos.”
A expansão simultânea para três mercados reflete a velocidade com que o tema de governança de IA ganhou relevância global. Segundo o Gartner, cerca de 70% das equipes de engenharia que desenvolvem aplicações com inteligência artificial deverão utilizar AI Gateways até 2028 para aumentar confiabilidade, segurança e eficiência operacional. No segmento financeiro, onde agentes autônomos já compressam ciclos de compra e pagamento para 65 dias, o controle centralizado sobre o que esses agentes acessam passa de diferencial a requisito.
O que observar
A camada de AI Gateway resolve um problema que cresce com a adoção, não antes dela. O risco da Shadow AI é real: quanto mais equipes adotam modelos de linguagem de forma descentralizada, maior a superfície exposta de chaves, dados e custos sem controle. O ponto de atenção para credores, seguradoras e demais organizações em setores regulados é que a governança de agentes autônomos ainda não tem padrão consolidado de mercado. O AI Gateway é uma das abordagens possíveis, mas o ecossistema ao redor de MCPs ainda está se formando, e a padronização de protocolos vai determinar o quanto soluções agnósticas conseguem de fato isolar as empresas do lock-in.
O lançamento simultâneo em três mercados é o dado estratégico mais relevante: indica que a empresa avalia o mercado norte-americano como endereçável agora, não como expansão futura. Vale acompanhar se a adoção em setores financeiros regulados se traduz em casos publicados nos próximos trimestres, especialmente em aplicações que cruzam fronteiras de compliance entre jurisdições diferentes.
Fontes: IT Forum • Sensedia • Let’s Money