A Volund, startup pernambucana sediada no Porto Digital, em Recife, usa agentes de IA em todo o ciclo de desenvolvimento de software e projeta faturar R$ 50 milhões até o fim de 2026, com uma equipe de 40 a 50 pessoas, segundo entrevista do CEO Vinícius Guedes ao Startups.com.br.
Esteira agêntica vs. fábrica convencional
| Fator | Fábrica convencional | Esteira agêntica (Volund) |
|---|---|---|
| Equipe por projeto | 8-10 pessoas, meses | 2-4 em funções estratégicas |
| Produtividade declarada | Base | Até 15x maior |
| Modelo de cobrança | Horas ou equipe alocada | Por entrega |
Comparativo declarado pela Volund. Fonte: Startups.com.br
Como a esteira agêntica funciona
A Volund é um desdobramento do Extreme Group, ecossistema de tecnologia fundado há 12 anos com cerca de 2 mil colaboradores e faturamento anual de R$ 600 milhões. A esteira foi desenvolvida internamente a partir de março de 2025, dentro da Beyond, outra empresa do grupo focada em cloud e venture building, e usada para reconstruir todos os produtos internos antes de se tornar uma empresa separada em fevereiro de 2026.
“Vibe coding é legal, mas não é suficiente para operacionalizar uma empresa. Existe um gap técnico […] O que a gente percebeu foi que a gente precisava criar uma esteira agêntica, de ponta a ponta”, disse Vinícius Guedes, CEO da Volund. No modelo, agentes de IA cobrem as etapas de levantamento de requisitos, geração de propostas técnicas e comerciais, decomposição de escopo, escrita e revisão de código, execução de testes e documentação de entrega, com supervisão humana em pontos estratégicos. O resultado declarado é uma operação até 15 vezes mais produtiva do que uma fábrica de software convencional.
Internamente, a empresa opera com uma agente chamada Vitória, descrita como chief of staff virtual com acesso a e-mails, reuniões e ao contexto completo da operação. “Ela tem autonomia para ler projetos e, com base no que ensinamos, consegue dar respostas que até hoje sempre foram corretas”, diz o CEO. A Volund também criou um departamento de RHA (Recursos Humanos e Artificiais), partindo da premissa de que humanos e agentes de IA vão coexistir no mesmo organograma.
O modelo de negócio é de serviços, não de SaaS: o cliente paga por entrega e pode optar por manter o sistema internamente ou contratar evolução contínua. “Clientes vão continuar tendo necessidade de soluções robustas em tecnologia. Agora é mais viável ter uma solução personalizada, o que não seria possível há dois anos”, argumenta o CEO. A empresa tem hoje oito projetos com cinco clientes nos setores público, de saúde e financeiro. A herança do Extreme Group fornece distribuição imediata: relacionamentos com grandes clientes e dores de mercado já mapeadas. A expansão para América Latina e Estados Unidos está no radar, sem previsão definida.
Sobre rodadas de investimento, o CEO diz que o negócio já caminha por conta própria e que uma captação pode fazer parte da estratégia nos próximos passos, mas sem urgência: “a procura pelo serviço tem sido tão grande que estamos mais focados em amadurecer a operação”, disse o CEO. É o mesmo modelo que emerge em outros segmentos, onde grandes empresas cortam centenas de milhares de horas com agentes de IA e onde a IA agêntica redefine a divisão entre plataformas de desenvolvimento.








