A Zappts cresceu 33% e reduziu o time-to-market de projetos em mais de 50% após iniciar, em setembro de 2024, a substituição de softwares passivos por agentes autônomos de IA em sua operação. A meta da empresa é dobrar a unidade de negócios de agentes inteligentes até o fim de 2026.
Zappts: indicadores da transformação agêntica
| Indicador |
Resultado |
| Crescimento de receita |
33% |
| Redução no time-to-market de projetos |
>50% |
| Aumento no quadro de dados e IA |
47% |
| Início da transformação |
Setembro 2024 |
| Meta para 2026 |
Dobrar unidade de agentes inteligentes |
Dados autodeclarados pela Zappts. Fonte: IT Forum
ATO e reskilling como fundação da transformação agêntica
Para estruturar a mudança, a Zappts criou o ATO (Agentic Transformation Office), unidade dedicada à governança, padrões de segurança e escalabilidade dos agentes. O movimento foi acompanhado por reskilling interno: o quadro de profissionais dedicados a dados e inteligência artificial cresceu 47%. Pablo Augusto, CEO da Zappts, explica que a transformação agêntica não se trata “somente de automatizar tarefas, mas de delegar decisão e execução de processos críticos para agentes que operam com autonomia, governança e escalabilidade”.
A diferença em relação à digitalização convencional está no locus de controle: em vez de construir interfaces para humanos operarem sistemas, a empresa passou a implantar agentes capazes de executar processos de ponta a ponta sem intervenção contínua. Essa abordagem ressoa com a trajetória mais ampla do setor: segundo o TI Inside, o mercado global de IA agêntica deve crescer 25 vezes até 2030, com o Brasil liderando a adoção na América Latina.
Governança via API: a parceria com a Sensedia
A escala dos agentes autônomos trouxe um problema que a empresa identificou como central: sem governança, a autonomia vira risco. A solução adotada passa por integrações via APIs e MCPs que permitem aos agentes acessar dados sensíveis com rastreabilidade. A parceria com a Sensedia para a camada de API management é apresentada como o pilar que viabiliza a conformidade nessa “força de trabalho digital”.
O CEO da Zappts explica que “o sucesso das iniciativas com IA não depende apenas da qualidade dos modelos, mas da estratégia, da arquitetura e da capacidade de integrar esses agentes aos processos reais da empresa com segurança e governança.” No setor financeiro, onde IA agêntica já é discutida para depósitos e cartões em tempo real, essa camada de controle é requisito regulatório, não diferencial.
O que observar
Os números da transformação agêntica são autodeclarados e não auditados por terceiros, o que é praxe em comunicados de empresas privadas. O dado mais relevante não é o crescimento em si, mas a correlação entre a redução de time-to-market e a adoção de agentes: se comprovada em outros contextos, ela sugere que o valor real dos agentes autônomos está mais na velocidade de execução do que na redução de custo de mão de obra. Para empresas de serviços que competem por projetos com janelas de oportunidade estreitas, esse é um argumento de produto mais convincente do que eficiência operacional genérica.
A dependência de uma camada de governança de API para escalar agentes é o ponto de atenção estrutural. Integradores de agentes autônomos que constroem sobre plataformas de terceiros assumem risco de vendor lock-in e de reprecificação à medida que o mercado de AI Gateways amadurece. Vale acompanhar se o modelo de unidade de governança interna dedicada se torna um padrão adotado por integradores de IA ou se permanece como diferenciador de poucos.
Fontes: IT Forum • TI Inside • Let’s Money