Foto: Divulgação
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O Citigroup deu mais um passo decisivo para encerrar sua presença na Rússia. O conselho de administração do banco aprovou a venda da AO Citibank, sua unidade remanescente no país, em uma transação que deve resultar em um prejuízo antes dos impostos de aproximadamente US$ 1,2 bilhão.

O ativo será vendido para o Renaissance Capital, banco de investimentos com atuação relevante no mercado local. A expectativa é que o fechamento da operação ocorra no primeiro semestre de 2026, dependendo das condições regulatórias e de mercado, segundo informações do “Finextra”.

O custo financeiro do Citigroup para sair da Rússia

Segundo o Citigroup, o impacto negativo está concentrado principalmente em ajustes de conversão cambial, reflexo direto das restrições financeiras, da volatilidade do rublo e do ambiente econômico adverso desde o início da guerra na Ucrânia. O valor final do prejuízo ainda pode sofrer alterações, conforme as condições de mercado no momento da conclusão da venda.

A decisão encerra um processo iniciado em 2022, quando o banco anunciou que reduziria drasticamente sua exposição à Rússia. Desde então, o Citi vinha descontinuando linhas de negócio, reduzindo operações e buscando compradores para seus ativos locais.

Estratégia global e redução de risco

Mais do que um movimento pontual, a saída definitiva da Rússia se encaixa na estratégia mais ampla do Citigroup de simplificação do negócio e redução de riscos geopolíticos. Nos últimos anos, o banco tem se desfeito de operações consideradas não estratégicas, especialmente em mercados onde o retorno não compensa o custo regulatório, operacional e político.

Ao aceitar um prejuízo bilionário para concluir a venda, o Citi sinaliza que a prioridade não é recuperar valor no curto prazo, mas eliminar incertezas que pesam sobre o balanço e sobre a percepção de risco do grupo junto a investidores globais.

Com a transação prevista para ser concluída apenas em 2026, o impacto financeiro ainda deve aparecer nos próximos trimestres. Ainda assim, a aprovação pelo conselho marca simbolicamente o fim da presença operacional do Citigroup na Rússia, um mercado que, por décadas, fez parte da estratégia de bancos internacionais, mas que hoje se tornou sinônimo de risco elevado e baixa previsibilidade.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.