Foto: Reprodução
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A Flutterwave, uma das principais plataformas de pagamentos da África, deu mais um passo na construção de sua infraestrutura financeira ao adquirir a Mono, fintech nigeriana especializada em open banking. O valor da transação não foi divulgado, e a Mono seguirá operando de forma independente, mantendo equipe, liderança e operações.

Mais do que uma aquisição pontual, o movimento revela uma leitura clara do futuro dos pagamentos no continente, com menos dependência de cartões e mais integração direta com contas bancárias, dados financeiros e autenticação local.

Open banking como base do próximo ciclo

Fundada em 2020, a Mono construiu uma infraestrutura baseada em APIs que permite acesso seguro a dados financeiros, verificação de identidade e pagamentos entre contas. Hoje, a fintech se conecta a mais de 50 bancos e alcança mais de oito milhões de clientes bancários em diferentes países africanos.

Ao incorporar essa camada de open banking, a Flutterwave amplia sua capacidade de oferecer onboarding mais rápido, verificação aprimorada de usuários, redução de fraudes e fluxos de pagamento mais eficientes, especialmente em mercados onde a fragmentação bancária e regulatória ainda é um desafio estrutural.

Menos cartão, mais conta a conta

A aquisição reflete uma mudança mais ampla no ecossistema africano de pagamentos. Assim como em outras regiões emergentes, cresce a percepção de que a próxima fase de escala virá menos dos sistemas tradicionais de cartões e mais de pagamentos bancários autenticados, relevantes localmente e integrados a dados financeiros.

Nesse contexto, o open banking passa a ser não apenas um facilitador técnico, mas um elemento central de confiança. Dados, identidade e pagamento deixam de ser camadas separadas e passam a operar de forma integrada, algo essencial para comércio digital, crédito, serviços financeiros embutidos e, no futuro, fluxos com stablecoins.

Infraestrutura antes da expansão

Para a Flutterwave, a compra da Mono fortalece a base sobre a qual a empresa pode expandir novos produtos e mercados. A integração das APIs cria um caminho mais claro para métodos alternativos de pagamento, fluxos autenticados de conta a conta e, gradualmente, casos de uso mais sofisticados envolvendo ativos digitais.

“Pagamentos, dados e confiança não podem existir isoladamente. O open banking fornece a conexão necessária”, afirmou Olugbenga “GB” Agboola, fundador e CEO da Flutterwave, ao comentar a aquisição, segundo o “Finextra“.

O movimento também envia um recado ao mercado: escalar pagamentos na África exige infraestrutura local, interoperável e regulatoriamente alinhada. Em vez de replicar modelos globais baseados em cartões, as grandes plataformas estão investindo em camadas próprias de dados e conectividade bancária.

A aquisição da Mono posiciona a Flutterwave não apenas como uma processadora de pagamentos, mas como uma peça central na construção da infraestrutura financeira africana, onde open banking tende a ser menos uma opção e mais um pré-requisito para crescimento sustentável.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.