Foto: Divulgação
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A crise da Guavapay ganhou um novo capítulo com a saída de seu fundador e CEO, Orkhan Nasibov. A renúncia ocorre em meio a um processo judicial movido pela Mastercard, uma das principais credoras da empresa, que pediu a liquidação da fintech no tribunal superior do Reino Unido.

Segundo um porta-voz da companhia, Nasibov deixou o cargo por “fadiga e problemas de saúde”. A decisão foi tomada poucos dias após a Mastercard apresentar, na véspera de Natal, um pedido formal de falência contra a Guavapay, elevando a pressão sobre a estrutura financeira e de governança da empresa, de acordo com informações do “Finextra“.

A disputa judicial coloca em risco a continuidade da fintech, que atua no segmento de carteiras digitais e pagamentos e emprega cerca de 500 pessoas. Caso não haja acordo com a Mastercard, a Guavapay pode ser forçada à liquidação.

Ação da Mastercard amplia crise

Os problemas da empresa não são recentes. Em setembro, a Guavapay foi obrigada a suspender seus serviços no Reino Unido após um acordo com a Financial Conduct Authority (FCA). A decisão ocorreu depois de o regulador identificar “desafios significativos” relacionados a atividades fraudulentas e ao rápido crescimento da operação.

Desde então, os clientes seguem autorizados a sacar recursos, mas a fintech foi instruída a bloquear novos pagamentos nas contas dos usuários. Em comunicado divulgado à época, a empresa reconheceu que, durante a fase inicial de lançamento de sua carteira eletrônica em 2024, enfrentou um alto volume de fundos fraudulentos sendo recebidos em suas contas.

Além disso, a Guavapay admitiu que a velocidade de expansão levou ao descumprimento de certos limites regulatórios. Mesmo com esforços para permanecer em conformidade, a escala do crescimento acabou ultrapassando as exigências impostas pelo regulador.

Crescimento financeiro em meio à crise

Apesar das dificuldades operacionais e regulatórias, a Guavapay apresentou números financeiros relevantes. Em 2024, a empresa registrou faturamento de £ 23,4 milhões, quase o dobro do ano anterior, e lucro antes de impostos de pouco menos de £ 2 milhões.

O contraste entre crescimento financeiro e fragilidade regulatória ilustra um dilema comum no ecossistema de fintechs: a corrida por escala pode acelerar receitas, mas também expor lacunas de compliance e governança. No caso da Guavapay, o conflito com a Mastercard e a intervenção regulatória colocam em xeque a sustentabilidade do modelo.

Agora, com a saída do fundador e a ameaça de liquidação, o futuro da fintech depende diretamente do desfecho da disputa judicial e da capacidade da empresa de renegociar suas obrigações com credores e reguladores.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.