Foto: Divulgação
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A expansão global dos neobancos ganhou um novo capítulo. O Bunq, segundo maior neobanco da Europa, apresentou formalmente um pedido de licença bancária nos Estados Unidos junto ao Office of the Comptroller of the Currency (OCC). O movimento marca a entrada mais ambiciosa da fintech europeia no sistema financeiro americano e reforça a tendência de internacionalização das plataformas digitais de serviços financeiros.

O pedido ocorre logo após a aprovação da licença de corretora da empresa pela FINRA, passo regulatório que abriu caminho para a ampliação de sua atuação no país. Caso receba o aval do OCC, o Bunq poderá oferecer contas bancárias completas nos EUA, ampliando significativamente seu escopo operacional fora da Europa.

Bunq aposta em expatriados e histórico de crédito global

A estratégia do Bunq nos Estados Unidos é clara: atender nômades digitais, expatriados e profissionais globais, público que enfrenta dificuldades recorrentes para acessar serviços bancários tradicionais ao mudar de país. Inicialmente, a fintech pretende lançar seus serviços em áreas metropolitanas americanas com grandes comunidades de expatriados europeus.

Um dos principais diferenciais da proposta é a possibilidade de os usuários construírem rapidamente um histórico de crédito nos EUA, utilizando registros financeiros mantidos na Europa, um obstáculo comum para recém-chegados ao país. Além disso, clientes elegíveis poderão manter contas correntes simultâneas nos Estados Unidos e na Europa, integrando sua vida financeira em diferentes jurisdições.

“Nossos usuários estão construindo suas vidas além das fronteiras e precisam de um banco seguro, confiável e fácil de usar, onde quer que estejam”, afirmou Ali Niknam, fundador e CEO do Bunq, de acordo com o “Finextra“. Segundo ele, o objetivo é oferecer liberdade financeira para quem transita entre países, seja mudando-se definitivamente ou mantendo uma rotina internacional.

Lucro e escala sustentam ofensiva regulatória

O avanço regulatório nos EUA ocorre após o Bunq divulgar resultados positivos em 2024, marcando seu segundo ano consecutivo de lucro, um feito ainda raro entre neobancos europeus. Avaliado como unicórnio, o grupo ultrapassou recentemente a marca de 20 milhões de usuários, consolidando sua posição como um dos principais players digitais do continente.

Além do mercado americano, a empresa também mantém planos de expansão regulatória no Reino Unido, onde busca uma licença de instituição financeira de moeda eletrônica (EMI). O conjunto de movimentos indica uma estratégia clara de fortalecimento institucional, combinando crescimento internacional, rentabilidade e múltiplas autorizações regulatórias.

A iniciativa do Bunq reforça uma tendência mais ampla no setor financeiro global: fintechs maduras, especialmente na Europa, deixam de focar apenas em crescimento de usuários e passam a disputar espaço nos mercados mais regulados do mundo. Nos Estados Unidos, onde barreiras regulatórias são altas, a licença bancária representa não apenas acesso a clientes, mas também legitimidade e escala.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.