O Santander UK concluiu a aquisição do TSB por £ 2,9 bilhões e torna o grupo o terceiro maior banco do Reino Unido em contas correntes, quarto em hipotecas, com quase 28 milhões de clientes combinados.
Aquisição do TSB: indicadores financeiros
| Indicador |
Valor |
| Preço base (Sabadell) |
£2,65 bi |
| Ajuste patrimonial (TNAV) |
£213 mi |
| Total pago |
£2,9 bi |
| Meta de sinergia de custos |
≥ £400 mi/ano |
| ROTE atual (2024) |
11% |
| ROTE-alvo (2028) |
16% |
Aquisição do TSB pelo Santander UK. Fonte: Santander UK
De rivais a um grupo de 28 milhões de clientes
O negócio foi anunciado em julho de 2025, quando o Santander fechou acordo com o Sabadell por £2,65 bilhões para comprar o TSB. Com os ajustes de valor patrimonial líquido (TNAV), o preço final chegou a £2,9 bilhões. A conclusão dependia de aprovação do Prudential Regulation Authority, concedida em março de 2026, e do Banco Central Europeu, em abril. O TSB incorpora ao grupo cerca de cinco milhões de correntistas e £71,5 bilhões em ativos brutos, entre depósitos e carteira de crédito.
Mahesh Aditya, CEO do Santander UK, afirmou que a aquisição representa “o maior investimento individual no setor bancário britânico em mais de 15 anos”. A transação se encaixa na estratégia europeia do grupo: em outubro de 2025, o Santander anunciou a unificação do Openbank e do SCF para criar um banco digital europeu integrado. No Reino Unido, o banco acumulou pressões em 2026: em março, ficou exposto à crise da Market Financial Solutions, corretora de hipotecas que entrou em colapso. Nicola Bannister, nova CEO do TSB, disse que a integração ao Santander marca “um novo capítulo significativo” para o banco.
Sinergia de £400 mi e retorno sobre patrimônio de 16%
O Santander estima sinergia de custos de ao menos £400 milhões por ano, equivalente a 13% da base de custos combinada, com a maioria das economias previstas para 2027. O retorno sobre patrimônio tangível (ROTE) no Reino Unido, de 11% em 2024, deve alcançar 16% até 2028.
O retorno sobre o capital investido na operação supera 20%. Por ora, não há mudanças para os clientes: as marcas TSB e Santander seguem separadas até a conclusão de uma transferência formal de carteira bancária (Part VII), processo que depende de sanção judicial e está previsto para o primeiro semestre de 2027.
O que observar
A execução da integração será o principal desafio dos próximos 18 meses. A transferência Part VII ainda depende de aprovação judicial e regulatória, e o grupo adquirente precisa consolidar dois portfólios de produtos, dois sistemas e dois quadros de funcionários dentro de um prazo curto. A meta de £400 milhões anuais em sinergias, com maioria realizada até 2027, é ambiciosa para uma operação desse porte. Vale acompanhar se o cronograma se mantém sem resistência dos órgãos reguladores ou contestação judicial, o que poderia adiar a realização das economias projetadas.
Para bancos de médio porte do mercado britânico, a criação de um terceiro colocado com 28 milhões de clientes em contas correntes reconfigura o campo competitivo num produto de alta capilaridade e baixa margem. A pergunta que fica é se a escala obtida com o TSB permitirá ao grupo crescer em produtos de maior retorno, como hipotecas e crédito empresarial, onde ainda ocupa a quarta posição.
Fontes: Finextra • Santander UK • Santander Group • Let’s Money • Let’s Money