Foto: Divulgação
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou com uma ação judicial de US$ 5 bilhões contra o JPMorgan Chase, acusando a instituição de ter encerrado contas ligadas a ele e a empresas de seu grupo por razões políticas, prática que ficou conhecida como political debanking.

Segundo informações publicadas pelo Financial Times, Trump alega que o banco violou suas próprias políticas internas ao encerrar unilateralmente as contas, supostamente por discordâncias ideológicas, e não por critérios regulatórios ou de risco. O processo também inclui acusações pessoais contra o CEO do banco, Jamie Dimon.

O JPMorgan negou as acusações e afirmou que a ação “não tem fundamento”. Em nota, o banco declarou que o encerramento de contas é uma prática comum quando há preocupações relacionadas a compliance, riscos regulatórios ou expectativas de supervisão, e que respeita o direito do presidente de recorrer à Justiça, assim como seu direito de se defender.

Além do fechamento das contas, Trump acusa o banco de atuar informalmente para restringir o acesso de suas empresas ao crédito, supostamente influenciando outras instituições financeiras a evitar relações comerciais com o grupo ligado ao presidente.

Caso do JPMorgan reacende debate

O caso reacende um debate crescente nos Estados Unidos sobre o poder dos grandes bancos na exclusão financeira de indivíduos ou organizações por critérios que extrapolam o risco financeiro tradicional. Nos últimos anos, políticos conservadores têm acusado instituições financeiras de usar políticas internas, agendas ESG e gestão de risco reputacional como instrumentos de discricionariedade política.

A ação ocorre em um momento de maior sensibilidade regulatória no sistema financeiro americano. Decisões recentes de reguladores federais e estaduais, além de sinais de maior abertura a novos modelos bancários e financeiros, têm alimentado a discussão sobre os limites entre autonomia privada, compliance e neutralidade política no acesso aos serviços financeiros.

Para o mercado, o processo adiciona mais um elemento de pressão institucional sobre os grandes bancos americanos, em um contexto em que temas como desbancarização, governança e poder das plataformas financeiras ganham peso crescente no debate público e regulatório.

Gabriel Rios

Editor-chefe

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.

Formado em jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, também realizou o curso de Jornalismo Econômico do Estadão. Foi editor do BP Money e repórter do Bahia Notícias.