
O Varo Bank anunciou uma captação de US$ 123,9 milhões na Série G, liderada pela Warburg Pincus e pela nova investidora Coliseum Capital Management. A rodada chega em um momento decisivo para o neobank americano, que ainda busca alcançar a rentabilidade depois de uma década de operação e registrar prejuízos de US$ 65 milhões em 2024
Crescimento no crédito, mas prejuízo continua
Fundado em 2015, o Varo foi pioneiro ao se tornar o primeiro banco digital totalmente regulamentado dos Estados Unidos, conquistando sua licença bancária nacional em 2020. Segundo o portal Axios, a empresa vem apostando em produtos de crédito como estratégia de crescimento e gerou US$ 547 milhões em volume de empréstimos ao longo de 2025.
Apesar da evolução operacional — com receita crescendo 22% e custo de aquisição de clientes caindo 31% em 2024 — o banco ainda depende fortemente de tarifas de intercâmbio, que representam 55,8% da receita. Enquanto isso, concorrentes como Chime e Dave já alcançaram a lucratividade, aumentando a pressão sobre o Varo.
Mudança no comando
A rodada de captação coincide com uma importante transição na liderança. Colin Walsh, fundador e CEO do Varo, deixou o cargo recentemente, sendo substituído por Gavin Michael, ex-CEO da exchange de criptomoedas Bakkt. Walsh permanece no conselho e como um dos principais acionistas da empresa.
Com mais de US$ 1 bilhão captados desde sua fundação, o Varo enfrenta agora o desafio de transformar escala em resultados financeiros sustentáveis. Para Chris Shackelton, da Coliseum Capital, a aposta reflete “confiança no potencial de crescimento da empresa” e na combinação rara entre experiência tecnológica e disciplina de um banco regulamentado.
A trajetória do Varo ilustra bem o momento do setor de neobanks nos EUA: crescimento não basta mais, a busca agora é por um modelo de negócio que equilibre inovação com rentabilidade real.