A Adyen colocou número no que a inteligência artificial já rende no varejo digital. No Fórum E-Commerce Brasil, realizado no fim de julho de 2026, a empresa apresentou um caso com a C&A em que sua plataforma de IA, a Adyen Uplift, elevou a taxa de aprovação de pagamentos online em 4,7% e converteu R$ 24 milhões em vendas que a varejista deixaria escapar em seis meses.
Caso C&A com Adyen Uplift, em 6 meses
| Indicador |
Resultado |
| Taxa de aprovação online |
+4,7% |
| Ganho de performance (Uplift ligado) |
mais de 6% |
| Vendas adicionais convertidas |
R$ 24 milhões |
| Economia com chargebacks |
R$ 1 milhão |
Caso C&A com Adyen Uplift, seis meses (2026). Fonte: Valor Econômico
Como a Adyen transforma dados em aprovação
A aposta da companhia está em reunir, numa mesma infraestrutura, os papéis de adquirente, processadora e provedora de tecnologia, em vez da fragmentação típica da cadeia de pagamentos. “A Adyen é o único ‘player’ no mundo que reúne tudo isso em uma plataforma só”, afirmou Renato Migliacci, vice-presidente de vendas da Adyen Brasil. Segundo o executivo, o volume processado alimenta os modelos de IA que identificam padrões de comportamento e melhoram a comunicação com os bancos emissores no momento da autorização, o que eleva a taxa de aprovação e reduz os chargebacks.
É a mesma lógica que sustenta movimentos recentes da empresa fora do checkout tradicional, como quando comprou a Orb por US$ 335 milhões para cobrar pelo uso de IA ou quando substituiu a Stripe no sistema de pagamentos do governo britânico. Migliacci diz que a tecnologia é desenvolvida internamente: “Tudo que é ‘core’ de pagamento é 100% proprietário da Adyen.” O Uplift foi lançado como produto há cerca de dois anos, embora as tecnologias que o compõem venham sendo desenvolvidas há mais tempo.
O gargalo dos falsos positivos
Boa parte do ganho vem de reduzir os falsos positivos, quando transações legítimas são barradas por suspeita de fraude. A plataforma cruza informações de diferentes canais e usa o histórico de pagamentos para reconhecer o cliente mesmo em uma primeira compra no site. “Se eu sei que você passou em cinco lojas […] mesmo que seja sua primeira compra no site, eu tenho mais informação para não recusar você por uma suspeita de fraude”, explicou Migliacci. A tokenização de cartões, que troca os dados sensíveis por um código criptografado, entra como reforço ao atualizar automaticamente o meio de pagamento junto aos emissores quando o cartão é renovado.
O problema que a solução ataca é dimensionado pela própria empresa: uma pesquisa da Adyen divulgada em junho de 2026 apontou que o excesso de rigor contra fraudes faz o varejo perder até 10% das vendas legítimas. No caso da C&A, o foco declarado foi ampliar a conversão. “Num período de seis meses em que a gente trabalhou com o ‘Uplift’ ligado, trouxe mais de 6% de performance. Isso significa mais de R$ 20 milhões que eles deixariam passar e a nossa solução conseguiu converter”, disse o executivo.
O que observar
O caso desloca a conversa sobre antifraude de custo para receita: cada ponto percentual de aprovação a mais vira faturamento que já estava no carrinho. A pergunta que fica é quão durável é esse ganho. Modelos treinados em base global tendem a perder eficácia à medida que fraudadores se adaptam, e vale acompanhar se as taxas de aprovação se sustentam depois do efeito inicial ou se exigem recalibragem constante.
Há também um ângulo competitivo a observar entre adquirentes e processadoras. Se a integração entre autorização, prevenção de fraude e reconhecimento omnicanal passar a ditar as taxas de aprovação, a métrica deixa de ser preço por transação e vira qualidade do modelo de risco. Para varejistas omnicanal, o teste prático é se a leitura conjunta de loja física e digital reduz de fato a recusa de clientes legítimos sem abrir brecha na barreira contra fraude.
Fontes: Valor Econômico • E-Commerce Brasil • Let’s Money • Let’s Money