
Uma investigação da revista Piauí revelou que o Banco Central pressionou o Fundo Garantidor de Crédito a emprestar R$ 11 bilhões ao Banco Master em abril de 2025. O ofício, assinado por três diretores da autoridade monetária, alertava que sem o dinheiro, o banco de Daniel Vorcaro poderia quebrar e custar R$ 54,3 bilhões ao FGC. Diante da ameaça, o fundo cedeu e liberou R$ 5,7 bilhões — metade do valor pedido — mas perdeu tudo.
BC garantiu solução que não aconteceu
O ofício do BC tinha tom “sutilmente ameaçador”, segundo a reportagem. A autoridade monetária alertava que a liquidação do Master poderia derrubar outros bancos que operavam com altas comissões para distribuir CDBs no mercado. O argumento era claro: emprestar agora custaria menos que uma crise sistêmica depois.
O FGC aceitou sob uma condição: a garantia escrita do BC de que o Banco Regional de Brasília compraria o Master, encerrando a crise. Cinco meses depois, o próprio Banco Central rejeitou a operação por “inviabilidade” — e o empréstimo virou prejuízo integral. Sem respostas do BC, o fundo enviou carta reclamando que teve todos os pedidos de informações negados durante o processo.
Maior rombo da história do FGC
O caso expõe falhas na supervisão do BC tanto na gestão de Roberto Campos Neto quanto na atual, comandada por Gabriel Galípolo. O Master foi autorizado a operar após múltiplos pedidos frustrados e recebeu 18 ofícios de alerta que nunca resultaram em ação efetiva. Enquanto isso, o banco chegou a adquirir outras instituições — Voiter, Letsbank e Will Bank — com anuência da própria autoridade reguladora.
A liquidação do Master em novembro de 2025 custará cerca de R$ 41 bilhões ao FGC, afetando 1,6 milhão de credores. É o maior rombo da história do fundo, equivalente a um terço de todo o patrimônio que protege depositantes e investidores do sistema financeiro brasileiro. O BC abriu processo administrativo sancionador após identificar R$ 11,5 bilhões em operações estruturadas fraudulentas, mas só teve certeza das irregularidades em junho — três meses após anunciar a venda ao BRB.