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BC age para reduzir espaço do crime no sistema financeiro

Diretora do BC Izabela Correa diz que integridade é pilar do ambiente digital e que o letramento é desafio, num país com 96,4% dos adultos bancarizados.

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· 3 min

Atualizado em

O Banco Central tem atuado para reduzir o espaço do crime organizado no sistema financeiro e trata a integridade do ambiente digital como pilar de desenvolvimento, afirmou a diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta, Izabela Moreira Correa, nesta terça-feira (9). Segundo ela, um dos desafios é assegurar o letramento da sociedade com o sistema financeiro on-line, hoje usado por 96,4% dos adultos do país.

Bancarização no Brasil

Indicador Número
População adulta com conta bancária ou de pagamento 96,4%
Pessoas com relação com o sistema financeiro 175,2 milhões
Relacionamentos com bancos tradicionais 171,3 milhões

Bancarização da população adulta, Relatório de Cidadania Financeira do Banco Central. Fonte: Poder360

A integridade vira pilar do ambiente digital

Em discurso na abertura do Congresso Brasileiro de Internet, organizado pela Abranet em Brasília, a diretora ligou a expansão dos serviços financeiros digitais à necessidade de blindar o sistema. “O Banco Central vem reforçando uma série de controles junto ao Sistema Financeiro Nacional, reforçando a infraestrutura de integridade de sistema”, disse. A autoridade adotou desde exigências mais rigorosas para participantes até mecanismos para recuperação de recursos em casos de fraude.

“Mais recentemente, essa agenda tem sido intensificada […] com medidas voltadas à própria redução do espaço do crime organizado e fortalecimento do controle das instituições financeiras”, afirmou Izabela. Na prática, o BC limitou em R$ 15 mil as transações de Pix e TED de instituições de pagamento ainda não autorizadas e antecipou para maio de 2026 o prazo para que elas peçam autorização. O movimento segue a linha de iniciativas como a da Receita Federal, que igualou exigências de fintechs às de bancos no combate a crimes.

Um país quase totalmente bancarizado

O pano de fundo é uma população amplamente conectada ao sistema financeiro. São 175,2 milhões de pessoas com relação com instituições financeiras, o que coloca o Brasil entre as “economias altamente bancarizadas”, segundo a diretora. Para ela, a internet virou um “ambiente de vida”, onde a maioria das transações financeiras acontece, tese que dialoga com a leitura do BC de que o Pix ampliou a bancarização no país.

Essa escala muda o mapa de riscos. Enquanto os assaltos a bancos despencam e as fraudes digitais sobem, a confiança passa a depender da integridade do ambiente online. “Quanto mais essencial a internet passa a ser nas nossas vidas e também na gestão da nossa vida financeira, também mais importante é manter e assegurar a integridade deste ambiente para que ele promova aspectos de confiança”, disse Izabela.

O que observar

O recado da autoridade junta dois movimentos que nem sempre andam no mesmo ritmo: ampliar o acesso e blindar o sistema. Vale acompanhar se as exigências mais rigorosas para participantes elevam o custo de conformidade a ponto de pressionar instituições de pagamento menores, e se a barra mais alta de entrada concentra o mercado nos players de maior porte, capazes de absorver controles de segurança e capital mínimo.

A outra frente é o letramento. De pouco adianta endurecer regras na infraestrutura se o elo mais frágil segue sendo o usuário, alvo de golpes de engenharia social. A pergunta é se os mecanismos de recuperação de recursos e o compartilhamento de informações entre instituições conseguem reduzir a perda efetiva das vítimas, e não apenas registrar a fraude depois que o dinheiro saiu.

Fontes: Valor EconômicoPoder360CNN BrasilLet’s MoneyLet’s Money

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