O Pix por aproximação deixa de ter teto fixo de R$ 500 por operação. O Banco Central publicou em 17 de junho a Instrução Normativa BCB 746/2026, que altera a IN 512/2024 e atribui ao usuário o papel de negociar o próprio limite com a instituição financeira. A regra também alcança a JSR (jornada sem redirecionamento) do Open Finance e começa a valer em 1º de outubro de 2026.
O que muda no Pix por aproximação
| Item |
Antes |
Depois |
| Limite por transação |
R$ 500 (teto padrão) |
Definido pelo cliente |
| Norma vigente |
IN BCB 512/2024 |
IN BCB 746/2026 (altera a 512/2024) |
| Outras modalidades atingidas |
não havia |
JSR no Open Finance |
| Vigência |
não se aplica |
1º de outubro de 2026 |
Resumo da Instrução Normativa BCB 746/2026, publicada no DOU em 17/06/2026. Fonte: LegisWeb
O que muda na prática
Até agora valia a regulamentação de 2024, que fixou em R$ 500 o teto único por operação na aproximação. A IN 746 derruba os dispositivos correspondentes da IN 512/2024 e transfere ao usuário o papel de definir o limite junto à instituição financeira. A modalidade fica alinhada ao Pix tradicional, em que o titular da conta negocia aumento ou redução do valor diário conforme o perfil de uso.
A mudança não se restringe ao Pix por aproximação. A norma também ajusta os limites aplicáveis à jornada sem redirecionamento, modalidade do Open Finance em que o pagamento por chave Pix é iniciado dentro do app do iniciador sem mandar o usuário para o app do banco. As instituições têm até 1º de outubro de 2026 para adaptar sistemas e contratos com os clientes.
A pressão de adoção que justificou a flexibilização
A flexibilização vem depois de uma curva de adoção acelerada da modalidade. Em agosto de 2025, o Pix por aproximação tinha 594 mil transações; sete meses depois, em março de 2026, atingiu 1 milhão de transações. Em novembro de 2025, diretor do BC reconheceu publicamente que a aproximação avança com força no varejo brasileiro.
Junto à curva de volume, o ecossistema destravou pontos de fricção no lado da oferta. Em junho de 2026, a Apple cedeu ao Cade e topou liberar o Pix por NFC no iPhone, depois de meses de tensão regulatória sobre acesso ao chip NFC no iOS. Bancos e wallets já vinham lançando suas próprias jornadas de aproximação.
Em entrevista ao podcast Let’s Money em julho de 2025, Albert Morales, Payment Lead do Google, afirmou que, depois da vinculação inicial da conta, “uma vez passado esse tranco inicial e a conta já está vinculada, realmente o uso que as pessoas dão da solução é extensiva e passa isso a virar uma solução do dia a dia”. Dados internos do Let’s Money confirmam o ritmo do tema: oito matérias diretas sobre Pix por aproximação nos últimos doze meses, com aceleração no primeiro semestre de 2026.
O que observar
Vale acompanhar como instituições financeiras e wallets vão calibrar limites padrão dentro do novo regime. Em modelos de adesão ativa (o cliente precisa pedir), o limite efetivo médio tende a se manter próximo do antigo teto. Em modelos com sugestão automática no app (limite proposto com base no perfil de transação), o limite médio pode subir rapidamente e empurrar o ticket médio do Pix por aproximação para próximo dos padrões observados no Pix tradicional.
Há também uma frente de segurança e de proteção ao consumidor. Limites baixos eram, na prática, uma barreira contra perdas em casos de furto de celular com app aberto. A flexibilização desloca a responsabilidade para a combinação de autenticação no dispositivo, regras de detecção de fraude do banco emissor e camadas como modo noturno e PIN adicional dentro das wallets. Em paralelo, a equiparação do JSR ao novo regime cria pressão sobre iniciadores de pagamento e instituições integradoras para revisar contratos e fluxos de consentimento até o início de outubro.
Fontes: Vero Notícias • LegisWeb: IN BCB 746/2026 • Let’s Money: Pix por aproximação atinge 1 milhão • Let’s Money: Pix avança, diz diretor do BC • Let’s Money: Apple cede ao Cade • Let’s Money Podcast: Pix por aproximação com Albert Morales (Google)