A Belo, fintech argentina de pagamentos internacionais com operação no Brasil, captou US$ 14 milhões em Série A liderada pela Tether, emissora do maior stablecoin por capitalização de mercado. O aporte, que traz também Titan Fund, Venture City, Mindset Ventures e G2, financia a entrada em seis novos mercados latino-americanos e o desenvolvimento de uma solução de pagamentos B2B cross-border.
Belo no Brasil: metas para 2026
| Métrica |
Dado |
| Crescimento mensal (aquisição BR) |
50% ao mês |
| Meta de usuários no Brasil |
~500 mil (10-15% da base total) |
| GMV alvo no Brasil (2026) |
R$ 750 milhões |
| Equipe local atual |
5 pessoas |
Metas declaradas pelo CEO ao Startups Brasil. Fonte: Startups Brasil
De carteira cripto a plataforma de pagamentos
Fundada em 2021 em Buenos Aires, a Belo nasceu como plataforma de transações cripto. Desde então, ajustou o foco: a infraestrutura blockchain, antes um produto em si, passou a funcionar como trilho invisível de pagamentos, processando câmbio, transferências internacionais e contas multimoeda sem expor a camada cripto ao usuário final. A empresa opera com fluxo de caixa positivo, posição rara entre fintechs de crescimento acelerado.
A entrada da Tether no captable replica um padrão já visto em outros movimentos recentes da emissora: em 2025, a Tether aportou na Axiym para integrar o USDT em operações de tesouraria corporativa. O denominador comum é ampliar a circulação de dólares digitais em mercados onde o acesso ao câmbio tradicional é caro ou fragmentado. “Somos uma empresa que cresceu sustentavelmente ao longo de vários anos. Isso foi algo que eles sempre gostaram, além de questões ideológicas e conceituais a respeito de como vemos o futuro das criptomoedas e stablecoins”, disse Manuel Beaudroit, CEO da Belo.
Brasil e o B2B no roadmap
No Brasil, a Belo foca em freelancers, trabalhadores remotos e usuários com necessidade recorrente de câmbio. O país cresce 50% ao mês em aquisição de novos usuários, mas a operação ainda é pequena: cinco pessoas na equipe local. A meta é encerrar 2026 com cerca de 500 mil usuários no país, representando 10% a 15% da base total da empresa, e um GMV de R$ 750 milhões. O aporte financia contratações em marketing e atendimento ao cliente.
Além do varejo, está no roadmap uma solução de pagamentos B2B para empresas com fornecedores ou clientes em outros países da América Latina, segmento onde fintechs como a Muevy conectam Open Finance e redes globais como alternativa ao câmbio bancário. Os novos mercados na mira incluem México, Chile, Colômbia, Peru, Bolívia e Paraguai. O Brasil já vira laboratório para integrar Pix e stablecoins globais, o que coloca o país no centro da estratégia de expansão da fintech.
O que observar
O crescimento de 50% ao mês na aquisição de usuários é uma métrica de topo de funil registrada sobre uma base ainda pequena. O que vai definir a sustentabilidade da operação local é a taxa de retenção e o volume médio por usuário: freelancers e trabalhadores remotos têm necessidade recorrente de câmbio e favorecem o modelo, mas o perfil de uso esporádico eleva o custo de aquisição relativo. A distribuição entre esses perfis vai influenciar diretamente a economia unitária no Brasil.
O plano B2B está no roadmap mas ainda não foi lançado. É nesse segmento que a tese de infraestrutura de pagamentos via stablecoin encontra seu teste mais robusto: empresas com fluxos cross-border regulares têm volume e previsibilidade que justificam custo de aquisição mais alto e podem sustentar a operação independentemente do crescimento do varejo. Vale acompanhar se a expansão simultânea para seis mercados novos não fragmenta o foco operacional antes de o Brasil atingir escala.
Fontes: Startups Brasil • CoinDesk • Let’s Money • Let’s Money • Let’s Money