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BRB cancela assembleia e negocia novo prazo com BC após rombo do Master

BRB cancelou AGE que votaria capitalização de R$ 8,86 bi após decisão judicial. Banco comprou R$ 12 bi em títulos do Master que se revelaram fictícios.

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· 3 min

Atualizado em

Foto: Agência Brasília

O Banco de Brasília (BRB) cancelou a assembleia geral extraordinária que estava marcada para ontem e agora negocia com o Banco Central um novo prazo para resolver sua capitalização. O problema de fundo: o BRB comprou aproximadamente R$ 12,2 bilhões em créditos podres do Banco Master, e a AGE votaria um aumento de capital de até R$ 8,86 bilhões para cobrir o rombo.

TIMELINE, Caso BRB x Banco Master
Jan/2026: Will Bank liquidado por descumprimento com Mastercard
Mar/2026: Justiça suspende uso de terrenos como garantia
18/03: BRB cancela AGE por decisão de caráter prudencial
31/03: Prazo do BC para solução concreta
Legenda: O cancelamento da AGE adiciona incerteza ao cronograma de resolução do caso.

Dimensão da crise

O caso BRB-Master é um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro nos últimos anos. Na semana da intervenção, o Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa para R$ 127 milhões em obrigações. A Polícia Federal investiga a venda de carteiras falsas do Master ao BRB. O desembolso estimado do FGC para ressarcir aproximadamente 1,6 milhão de clientes é de R$ 41 bilhões, cerca de um terço do patrimônio do fundo.

A crise tem efeito dominó. Segundo a CNN Brasil, cinco estados são afetados, com alerta de R$ 30 bilhões em exposição no sistema. O BRB ficou desenquadrado dos limites prudenciais do BC por pelo menos dois meses. A AGE cancelada ontem votaria o aumento de capital de até R$ 8,86 bilhões. A decisão de cancelar veio após uma liminar judicial que suspendeu o uso de terrenos como garantia para a capitalização. Uma Lei Distrital (7.845/2026) chegou a autorizar o uso de imóveis e ativos de estatais do DF para capitalizar o banco, mas sem a validade judicial, a engenharia ficou comprometida.

O CEO Nelson de Souza classificou a decisão como prudencial. Na prática, o BRB precisa encontrar uma nova estrutura de capitalização que passe pelo crivo judicial e pelo Banco Central ao mesmo tempo. Em setembro de 2025, o BC já havia rejeitado a operação BRB-Master por riscos excessivos.

O que observar

A primeira questão é o prazo. O Banco Central definiu 31 de março de 2026 como limite para o BRB apresentar uma saída concreta. Quanto mais tempo o processo leva, maior o risco de intervenção. A segunda questão é a origem dos recursos. Se terrenos públicos não podem ser usados como garantia, de onde virá o capital? Para um banco público, as opções incluem aporte direto do governo do DF ou emissão de dívida subordinada, ambas com implicações políticas e fiscais.

Vale acompanhar também os desdobramentos do lado do Master. O BC abriu investigação interna sobre a condução do caso, e a CVM criou equipe de cúpula para avaliar as ramificações. Títulos fictícios em volume de R$ 12,2 bilhões sugerem problemas de governança que podem ter desdobramentos muito além do BRB.

Fontes:

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