O Banco de Brasília (BRB) cancelou a assembleia geral extraordinária que estava marcada para ontem e agora negocia com o Banco Central um novo prazo para resolver sua capitalização. O problema de fundo: o BRB comprou aproximadamente R$ 12,2 bilhões em créditos podres do Banco Master, e a AGE votaria um aumento de capital de até R$ 8,86 bilhões para cobrir o rombo.
Dimensão da crise
O caso BRB-Master é um dos episódios mais graves do sistema financeiro brasileiro nos últimos anos. Na semana da intervenção, o Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa para R$ 127 milhões em obrigações. A Polícia Federal investiga a venda de carteiras falsas do Master ao BRB. O desembolso estimado do FGC para ressarcir aproximadamente 1,6 milhão de clientes é de R$ 41 bilhões, cerca de um terço do patrimônio do fundo.
A crise tem efeito dominó. Segundo a CNN Brasil, cinco estados são afetados, com alerta de R$ 30 bilhões em exposição no sistema. O BRB ficou desenquadrado dos limites prudenciais do BC por pelo menos dois meses. A AGE cancelada ontem votaria o aumento de capital de até R$ 8,86 bilhões. A decisão de cancelar veio após uma liminar judicial que suspendeu o uso de terrenos como garantia para a capitalização. Uma Lei Distrital (7.845/2026) chegou a autorizar o uso de imóveis e ativos de estatais do DF para capitalizar o banco, mas sem a validade judicial, a engenharia ficou comprometida.
O CEO Nelson de Souza classificou a decisão como prudencial. Na prática, o BRB precisa encontrar uma nova estrutura de capitalização que passe pelo crivo judicial e pelo Banco Central ao mesmo tempo. Em setembro de 2025, o BC já havia rejeitado a operação BRB-Master por riscos excessivos.








