
O Banco de Brasília (BRB) afirmou nesta segunda-feira, 19 de janeiro, que possui “plena capacidade” de recompor seu capital caso venham a ser confirmados prejuízos decorrentes de operações ainda em apuração, negando que tenha sido instruído a receber aporte de capital compulsório de qualquer órgão regulador. A fala busca conter rumores de pressão formal por aportes e preservar a confiança do mercado na instituição.
BRB e a recomposição de capital
No comunicado oficial, o BRB disse que dispõe de um plano de capital estruturado para cenários de estresse, que ainda não foi acionado. A nota enfatiza que não recebeu “comunicação ou determinação específica de aporte de capital” por parte do Banco Central do Brasil ou de qualquer outro órgão regulador. A afirmação ocorre em meio ao debate sobre possíveis impactos financeiros relacionados às operações do banco com o extinto Banco Master, cujo colapso está sob investigação das autoridades.
O banco estatal, controlado pelo Governo do Distrito Federal, enfrenta maior escrutínio após adquirir carteiras de crédito ligadas ao Banco Master, instituição que entrou em liquidação extrajudicial em novembro de 2025. Essas transações estão sob análise do Banco Central e de auditorias independentes para identificar eventuais prejuízos e estimar seu tamanho real.
Ao mesmo tempo, reportagens especializadas citaram que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, teria alertado sobre a necessidade de um aporte de cerca de R$ 4 bilhões para evitar risco de intervenção no banco, algo que o BRB repetidamente nega ter sido formalmente exigido por autoridades.
Entre gestão de risco e ruído de mercado
O comunicado do BRB parece buscar acalmar investidores e clientes, reforçando a posição de solvência da instituição. Embora não citado diretamente na nota, a preocupação com a repercussão das operações com ativos do Banco Master permeia o cenário — especialmente porque parte dessas carteiras envolvem valores que ainda estão sendo auditados. Até o momento, o plano de capital do BRB segue como ferramentas de contingência, sem necessidade de acionamento formal.
Apesar das afirmações de solidez, a instituição mantém diálogo com seu controlador — o governo local — para avaliar eventuais medidas de reforço patrimonial se os prejuízos forem confirmados em magnitude relevante. A estratégia de comunicação pública, no entanto, tem sido reiterar autonomia e capacidade interna de gestão de capital, ao mesmo tempo em que distancia a instituição de qualquer determinação externa de aporte compulsório por órgãos reguladores.