A Core AI, startup que cria modelos de crédito com inteligência artificial para o ecossistema de banking as a service, captou US$ 4,1 milhões em rodada liderada pela 14B, fundo que surgiu do split da Upload Ventures. Entre os investidores-anjo estão André Street e Eduardo Pontes, fundadores da Stone, e Fersen Lambranho, da GP Investimentos.
Como a Core AI se posiciona
Cliente final (PMEs, plataformas)
↓
Core AI — modelos de crédito com IA
↓
BaaS (QI Tech · Celcoin · Stark Bank)
Rodada
US$ 4,1 mi
Anterior: US$ 400 mil
Projeção 2026
US$ 3 mi+
5 clientes ativos · 1 ano de operação
O problema do ‘last mile’ do crédito
Fundada por Enrico Francesco e Fernando Martins, que trabalham juntos há mais de oito anos, a Core AI opera como camada intermediária entre o cliente final e plataformas de BaaS como QI Tech, Celcoin e Stark Bank. A proposta é resolver o que os fundadores chamam de “last mile” do crédito: usar modelos de IA para aumentar taxas de aprovação sem elevar a inadimplência.
Na prática, empresas que precisam oferecer crédito mas não têm expertise em modelagem de risco contratam a Core AI como motor de decisão. A Alude, por exemplo, usa a plataforma para criar um pipeline de crédito dentro de seu produto de antecipação de aluguel. Com um ano de operação e cinco clientes ativos, a startup projeta gerar mais de US$ 3 milhões em receita em 2026.
A rodada contou com participação dos fundos brasileiros Big Bets e Nameless, além do fundo nova-iorquino BFF. O perfil dos investidores-anjo, com fundadores da Stone e o fundador da GP Investimentos, reflete a tese de que infraestrutura de crédito com IA é um gargalo relevante no ecossistema financeiro brasileiro.
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Contexto do BaaS no Brasil
A captação acontece em um momento em que a regulação de BaaS entrou em vigor e o BC acelerou regras sobre IPs, Pix e BaaS. As novas exigências regulatórias demandam que empresas que utilizam BaaS para oferecer crédito tenham modelos de risco mais robustos, o que amplia o mercado endereçável da Core AI.
O segmento de crédito como serviço vem atraindo investimentos. A QI Tech lançou consignado as a service para processar R$ 2 bilhões por mês, e a Aarin entrou no BaaS com integração por linguagem natural. A Core AI se diferencia por não competir com os BaaS, mas por servir como camada de inteligência sobre eles.
O que observar
A tese da Core AI aposta que o valor no ecossistema de BaaS vai migrar da infraestrutura transacional para a camada de decisão. Se os modelos de IA conseguirem demonstrar ganhos mensuráveis de aprovação sem aumento de inadimplência, a startup pode se tornar peça obrigatória no stack de crédito de empresas que operam via BaaS.
Vale acompanhar a evolução da base de clientes e se os US$ 3 milhões projetados em receita se confirmarão. O desafio de qualquer startup de infraestrutura é escalar sem perder qualidade de decisão, especialmente em um ambiente macroeconômico de juros altos e inadimplência pressionada.