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Dupla ex-Nubank capta US$ 85 mi para IA em patrimônio

A Decade, dos ex-Nubank Vitor Olivier e Felipe Meneses, capta US$ 85 mi na maior rodada seed da América Latina para levar IA à gestão de patrimônio.

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· 4 min

Atualizado em

Vitor Olivier e Felipe Meneses, fundadores da Decade/ foto: divulgação

A Decade, startup fundada por Vitor Olivier e Felipe Meneses, dupla saída do Nubank, captou US$ 85 milhões (cerca de R$ 440 milhões) na maior rodada seed já registrada no Brasil e na América Latina. A aposta é usar IA para levar gestão de patrimônio, hoje restrita aos mais ricos, a um público amplo por uma assinatura de R$ 200 mensais.

A rodada seed da Decade

Item Detalhe
Valor US$ 85 mi (cerca de R$ 440 mi), rodada seed
Investidores Benchmark, GreenOaks, Diffusion, Norte Ventures, Atlantico
Fundadores Vitor Olivier (ex-CTO do Nubank, CEO) e Felipe Meneses (fundador da Hyperplane, Head of AI)
Produto Assinatura de R$ 200/mês, com IA e consultores humanos
Licença Consultoria de investimentos (CVM); pediu autorização de gestora

Rodada seed da Decade, anunciada em 4 de agosto de 2026. Fonte: NeoFeed

A maior seed já vista na região

O cheque supera os US$ 40 milhões da startup de segurança Pax, em maio de 2026, segundo levantamento da Distrito, e também os US$ 50 milhões da mexicana Valoreo em 2021, quando se contam estruturas de dívida e capital, de acordo com a Sling Hub. A rodada foi concluída em setembro de 2025 e anunciada agora, quando Olivier deixou o banco após mais de uma década. O valuation não foi revelado.

Os caminhos dos dois se cruzaram no Nubank. Olivier entrou como um dos primeiros engenheiros e chegou a CTO. Meneses seguiu outra trilha: primeiro brasileiro selecionado para a Thiel Fellowship, largou Stanford e fundou a Hyperplane, empresa de IA voltada a instituições financeiras que o Nubank comprou em 2024. Foi ali que a dupla se juntou, à frente de iniciativas de IA do banco. “Há um ano, teria sido impossível construir o que estamos construindo. Serviços financeiros são complexos por design e muitas vezes monetizados pela assimetria de informação. A IA derruba essa assimetria”, disse Felipe Meneses, cofundador e Head of AI da Decade, no anúncio da rodada.

A ambição da Decade é declaradamente global, mas o começo é no Brasil, mesma lógica de laboratório usada pela fintech de David Vélez. “O smartphone e a nuvem democratizaram pagamentos e serviços bancários, mas ainda existe uma enorme dificuldade das pessoas para investir, planejar e tomar decisões financeiras. Com a IA, isso muda, porque é possível oferecer esse serviço em escala”, disse Olivier, cofundador e CEO da Decade, ao NeoFeed.

Um multi-family office para o varejo

A proposta combina IA e consultores humanos para acompanhar a vida financeira do cliente, algo próximo de um multi-family office, tradicionalmente reservado aos ultrarricos. A plataforma usa o Open Finance para consolidar dados bancários e de investimentos, monitora patrimônio, risco e liquidez, e roda simulações e projeções sob demanda, na esteira de instituições que já colocam IA na gestão de patrimônio.

A Decade quer se posicionar como uma camada independente entre clientes e instituições, sem os conflitos do modelo de comissão por venda de produto. Já tem integrações com BTG Pactual, XP, Genial e C6, e opera sob licença de consultoria de investimentos da CVM, além de ter solicitado autorização para atuar como gestora. “Queremos ser um ponto de entrada agnóstico. Nosso papel é encontrar o melhor produto para o cliente, independentemente da instituição financeira”, afirma Olivier. A plataforma está em beta, com 26 funcionários e lista de espera.

O que observar

O modelo de consultoria independente por assinatura, sem comissão, é o ponto mais sensível da tese. Ele promete resolver o conflito de interesse que marca a distribuição de investimentos no país, mas sua viabilidade depende de escala: cobrar uma mensalidade fixa exige uma base grande de clientes que enxergue valor recorrente no acompanhamento. Vale acompanhar se o serviço sustenta essa percepção fora do círculo próximo aos fundadores, hoje na casa de alguns bilhões em patrimônio experimental.

Há ainda a camada regulatória. Executar movimentações diretamente, e não só visualizar, exige a autorização de gestora ainda pendente, e leva a suitability e compliance para dentro de um fluxo assistido por IA. Para consultorias independentes, plataformas de investimento e gestoras, o teste será se uma recomendação gerada em escala por IA se sustenta sob as regras da CVM e sob a régua de responsabilização que o setor já conhece.

Fontes: NeoFeedBrazil JournalBloomberg LíneaYahoo Finance

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