A Geração Z nos EUA usou carteira digital em 36% das últimas compras de varejo em novembro de 2025, mais que o dobro dos 15% medidos antes. O salto coincide com a carteira virando camada de identidade e permissão para agentes de IA, movimento que no Brasil ainda está restrito ao pagamento.
O que está dentro da carteira
O argumento se sustenta em dois movimentos recentes nos Estados Unidos. Em 26 de maio de 2026, a Samsung lançou o Samsung ID com CLEAR, credencial digital derivada de passaporte norte-americano armazenada no Samsung Wallet e aceita em mais de 250 postos de controle da TSA, além de verificação de idade em alguns estádios. Em 10 de junho, a Visa anunciou parceria com a OpenAI para que agentes de IA possam fazer compras dentro de limites de gasto, restrições por categoria de comerciante e fluxos de aprovação definidos pelo usuário.
“A IA vai transformar o comércio mais profundamente do que a internet ou o mobile já transformaram”, disse Jack Forestell, Chief Product and Strategy Officer da Visa, no anúncio durante o Visa Payments Forum (em tradução livre). A parceria não tem data de disponibilidade definida e prevê que as transações operem com tokenização, autorização em tempo real, identificação do agente e monitoramento de fraude.
Uso de carteira digital em última compra de varejo nos EUA
| Grupo | Uso em novembro de 2025 | Variação |
|---|---|---|
| Total dos consumidores | 15% | Alta de 50% em relação a março de 2024 |
| Geração Z | 36% | Subiu de 15% em medição anterior |
Uso de carteira digital na última compra de varejo nos EUA, em novembro de 2025. Fonte: PYMNTS
No Brasil, a carteira segue uma fase anterior dessa evolução. Em abril de 2026, o Samsung Wallet ganhou Pix por aproximação no país, ampliando a função de pagamento sem adicionar credencial de identidade ou camada de permissão para agentes. No podcast Let’s Money em julho de 2025, Albert Morales, Lead Group Product Manager de Google Pay e Wallet, descreveu a carteira como container que reúne cartões, programas de fidelidade, transporte e identidade num único produto, integração que o mercado brasileiro ainda não oferece ao consumidor final.
A consolidação de identidade no Brasil avança pelo lado privado. A Serasa Experian fechou acordo para comprar a IDwall por R$ 400 milhões em maio, integrando KYC, biometria e onboarding à sua base. A Mastercard anunciou parceria para integrar Open Finance ao Human ID on-chain em novembro de 2025, tentando juntar credenciais financeiras e identidade no mesmo rail. Nenhuma dessas peças, porém, está embarcada hoje numa carteira de uso massivo no varejo brasileiro.








